Quito, 13 ago (EFE).- O vice-presidente do Equador, Lenin Moreno, afirmou hoje que seu país não aceitará sob nenhuma circunstância envolver-se em um eventual conflito bélico na região, mas que também não permitirá nova agressão como a de março de 2008, quando a Colômbia bombardeou um acampamento guerrilheiro em solo equatoriano.

"Se é que o propósito do presidente (da Venezuela, Hugo) Chávez era o de nos envolver em um conflito militar, não o vamos aceitar", afirmou Moreno em uma entrevista à rede "Ecuavisa", em referência às declarações do líder venezuelano de que na região "sopram ventos de guerra".

As declarações de Chávez aconteceram depois que Colômbia anunciou a negociação de um convênio que permitiria aos Estados Unidos utilizar as bases militares colombianas, o que preocupa vários países da região pela presença de tropas americanas na zona.

No entanto, Moreno ressaltou que, apesar não aceitar um eventual conflito armado entre Venezuela e Colômbia, o Equador responderia "com dignidade no momento em que se repita uma agressão" ao seu território, como o bombardeio colombiano do ano passado, que causou a ruptura de relações diplomáticas entre ambos os países.

O Exército da Colômbia atacou, dia 1º de março de 2008, um acampamento clandestino das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) sem aviso prévio às autoridades equatorianas, o que foi considerado por Quito como uma violação à soberania territorial do país.

No bombardeio morreram pelo menos 26 pessoas, entre elas o então número dois e porta-voz internacional da guerrilha, Luis Édgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", além de um cidadão equatoriano e quatro estudantes mexicanos.

Segundo Moreno, "um conflito armado é a última instância e o último recurso que devem ter as nações para resolver suas diferenças", embora "um país sempre deve estar preparado" e deve ter "os soldados, o equipamento e o armamento necessários para defender e responder com dignidade em caso de uma agressão".

"Nos dá muita pena que a Colômbia tenha um conflito tão longo como este e tomara que o resolva", acrescentou o vice-presidente, que reiterou que apesar de que se trata de algo alheio ao Equador, o país está "pagando as consequências".

Moreno afirmou que o Equador foi um dos países "mais afetados neste conflito", não só pelo bombardeio do ano passado mas também porque passam permanentemente a seu território "entre 200 e 300 mil colombianos" refugiados. EFE ic/fk

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.