QUITO (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, se comprometeu a agir com responsabilidade em sua iniciativa contra a dívida ilegal que seu governo ameaça não pagar. Não vamos dar um salto no vazio, devemos ser sensatos, disse Correa, durante seu programa semanal de rádio no fim de semana. Vamos buscar todos os mecanismos para repudiar esta dívida ilegítima e corrupta.

Na semana passada, uma comissão de auditoria do governo afirmou que a maior parte da dívida externa do país, de 10 bilhões de dólares, havia sido contraída ilegalmente por membros de governos passados confabulados com detentores de bônus ou pressionados por poderosos grupos multilaterais.

Correa, um popular líder de esquerda, levantou a possibilidade de não cumprir os pagamentos este mês, ao adiar o pagamento de juros sobre os bônus global 2012 para analisar a próxima ação a ser tomada.

O presidente equatoriano disse que um grupo de assessores legais será decisivo para decidir sobre um amplo conjunto de opções, desde a recompra até o não pagamento.

Alguns analistas dizem que as ameaças de Correa são uma estratégia para obrigar os proprietários de bônus a renegociarem os títulos soberanos do país.

O Equador, que é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ainda avalia os prejuízos causados à sua economia devido à queda do preço do petróleo no mercado internacional.

Em uma demonstração de força, Correa iniciou na semana passada uma campanha internacional contra o pagamento de um empréstimo concedido pelo Brasil através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujo acordo foi considerado ilegal por ele.

Ainda assim, o Equador ainda não interrompeu o pagamento do empréstimo de 320 milhões de dólares e Correa disse que vai aguardar uma determinação judicial.

No passado, Correa já moderou o tom de seu discurso em temas importantes para sair fortalecido em sua agressiva estratégia de negociação para conseguir mais benefícios junto a investidores estrangeiros.

De acordo com analistas, Correa poderá optar por impulsionar as demandas internacionais enquanto continua pagando a dívida "ilegal" para evitar o fim de fontes-chave de financiamento, enquanto o país enfrenta o aumento da crise global.

(Reportagem de Alonso Soto)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.