Manta (Equador), 18 set (EFE).- O Governo do Equador considerou hoje a recuperação do controle total sobre a base aérea de Manta, no oeste do país, como um triunfo da soberania nacional depois de dez anos de uso pelos Estados Unidos para operações antidrogas.

Em uma breve cerimônia na base, o ministro das Relações Exteriores equatoriano, Fander Falconí, foi quem afirmou que a saída dos militares americanos é um "triunfo da soberania nacional".

Falconí lembrou que o convênio, assinado em 1999, não foi debatido ou aprovado em plenário pelo Parlamento do Equador, apenas pela Comissão de Assuntos Internacionais e pelo então chanceler, Heinz Moeller.

"Eles não tiveram escrúpulos em subordinar a soberania do Equador", opinou o ministro.

Para Falconí, está sendo feito agora um "balanço efetivo" sobre o que significou a presença americana na base "para o conhecimento do povo equatoriano".

"É um momento da pátria grande, das transformações profundas e da visão latino-americana", acrescentou o ministro em um curto discurso na presença dos colegas das pastas da Defesa, Javier Ponce, e de Segurança Interna e Externa, Miguel Carvajal.

Em sua fala, Falconí pediu uma "reflexão profunda para evitar relações baseadas na subordinação" e a presença de bases estrangeiras em território nacional.

"Só um pensamento estratégico autenticamente sul-americano permitirá o fortalecimento da confiança e a criação de confiança entre países", acrescentou.

O fim oficial da presença americana na base de Manta ocorre praticamente dois meses depois do último voo militar dos EUA a partir do local, realizado em 17 de julho.

O acordo para a utilização da base por parte dos EUA foi assinado em 1999 pelo então presidente equatoriano Jamil Mahuad e previa o uso da base até novembro de 2009.

Em 2007, o atual presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou que não renovaria o convênio para o uso da base. Além disso, a nova Constituição do Equador, aprovada no ano passado, proíbe bases militares estrangeiras em território nacional.

Falconí destacou que o Equador é um "território de paz" e ressaltou que "nunca mais" se permitirá a presença de "bases militares estrangeiras".

O comandante de operações aéreas e de defesa da Força Aérea do Equador, Alonso Espinosa, disse que, a partir de agora, a base dará assistência às forças de combate que trabalham na fronteira e continuará na luta contra o narcotráfico.

Segundo Espinosa, o Equador receberá a partir de janeiro dois aviões Super Tucano, da Embraer, por mês, de um total de 24 aeronaves. Esse contingente será dividido em dois esquadrões, um de ação antecipada e outro de ataque.

O ministro Ponce descartou que as compras militares signifiquem a entrada em uma corrida armamentista, pois os Super Tucano são "principalmente voltados para treinamento, controle e vigilância da fronteira".

Ponce também mencionou a compra de radares e lanchas para a repressão ao narcotráfico, ao contrabando do combustível e à pirataria no mar, além de helicópteros indianos que serão utilizados principalmente para transporte.

Após a cerimônia, na qual não houve a presença de representantes americanos, os ministros percorreram as instalações da base utilizada pelos militares dos EUA, que estão sendo investigados devido a supostas violações dos direitos humanos.

Ponce preferiu não falar sobre esse e outros assuntos relativos à presença americana em Manta e que estão sob investigação para não prejudicar o andamento dos trabalhos.

O ministro justificou a ausência americana no evento de hoje ao lembrar que já em julho, os EUA realizaram uma cerimônia simbólica, enquanto o que interessava hoje ao Equador era "um ato simples, mas ao mesmo tempo solene, de recuperação da base. Por isso, a presença americana não era indispensável".

Por fim, Ponce mencionou que há um projeto para transformar a base de Manta em um aeroporto internacional. EFE asp-sm/bba

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