Equador dá início a processo de policiais envolvidos em protestos

Juíza decreta prisão preventiva de militar da reserva e 13 policiais acusados de liderar movimento para derrubar Correa

iG São Paulo |

Uma semana após a revolta policial no Equador, denunciada pelo presidente Rafael Correa como uma tentativa de golpe de Estado, teve início o processo contra 13 policiais e um político acusados de liderar o movimento.

Uma juíza decretou nesta quinta-feira a prisão preventiva de 13 policiais e do militar da reserva e político Fidel Araujo, ligado ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, que Correa acusa de ser o cabeça da revolta.

Durante a audiência de formulação das acusações, a juíza decidiu relaxar a prisão preventiva contra outros 20 policiais, revelou a promotoria.

AFP
Policiais que participaram de protestos contra Correa chegam para audiência (6/10/210)
Onze policiais com prisão preventiva decretada estão foragidos. Os 13 agentes e Araujo permanecerão detidos durante os três meses da fase de instrução, explicou o promotor Marco Freire.

Lei

A revolta foi provocada por uma lei que reduziu benefícios salariais de policiais e militares, e durante o movimento Correa foi retido em um hospital durante várias horas, até ser resgatado por tropas leais ao governo.

Correa, no poder desde 2007 e reeleito até 2013, afirma que membros da oposição aproveitaram o movimento dos policiais para tentar derrubá-lo, especialmente o ex-presidente Gutiérrez. Gravações da central de rádio da Polícia revelam que membros da força instigaram outros agentes a matar Correa quando o presidente estava cercado no hospital.

A revolta foi apoiada diretamente pela congressista indígena Lourdes Tibán e pelo político Carlos Vera - que promove um referendo para tirar o mandato de Correa -, e o legislador Gilmar Gutiérrez, irmão de Lucio Gutiérrez, pediu anistia para os policiais rebeldes durante o movimento.

Assembleia

Em um ambiente carregado, o Legislativo equatoriano, controlado por Correa, retomou suas sessões nesta quinta-feira, após ser ocupado por policiais durante a rebelião.

Em meio a uma forte proteção militar, os parlamentares retornaram a seus lugares para investigar o motim policial, que começou com um protesto contra um corte em seus benefícios econômicos e terminou num sangrento confronto com militares que intervieram para resgatar o presidente Rafael Correa.

"Espero que sejamos capazes de tratar os temas com serenidade", disse o presidente do legislativo, Fernando Cordero, ao abrir a sessão.

Em clima de tensão, governistas e opositores discutiram sobre se a rebelião foi uma tentativa de golpe de Estado, como diz o governo, ou um protesto trabalhista que saiu do controle das autoridades.

O chanceler Ricardo Patiño reafirmou a denúncia de Correa sobre a existência de um suposto esquadrão paramilitar chamado Grupo Armado Policial (GAP), que teria articulado a rebelião. "Há um grupo chamado GAP e, aparentemente, estão se formando outros grupos paramilitares; isto seria terrível para a segurança da sociedade equatoriana", declarou o ministro à TV estatal.

Patiño advertiu para os riscos que a democracia corre na América Latina e lembrou do alerta do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre tentativas de golpe na região como a que Correa enfrentou.

Na última sessão, a Assembleia tramitava a polêmica lei de austeridade do setor público que despertou o protesto dos policiais, mas o debate não chegou a terminar. A lei entrou em vigor no começo da semana, ratificando o corte de benefícios e pagamentos por condecorações aos servidores públicos, incluindo policiais e militares.

A Assembleia tentou funcionar durante os dias posteriores ao protesto, mas o governo argumentou falta de garantias, o que foi classificado por partidos de oposição como uma estratégia para justificar o suposto golpe de Estado.

*Com Reuters e AFP

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