O presidente do Equador, Rafael Correa, reforçou sua liderança, ao conseguir sua quarta vitória eleitoral, neste domingo, depois que a maioria dos eleitores aprovou, em referendo, a nova Constituição promovida desde sua campanha à presidência, em 2006.

A "esmagadora" vitória sobre o texto constitucional renovou a imagem de um líder que, desde que começou a defender suas idéias, desafiou multinacionais, enfrentou os Estados Unidos e transformou sua grande popularidade em arma contra os rivais.

Carismático e temperamental, Correa, de 45 anos, apostou todas as fichas na aprovação da Constituição, com a qual fortalece seu poder, amplia suas faculdades para regular a economia e deixa o caminho livre para sua reeleição, com a possibilidade de se manter no cargo até 2017.

O presidente cultivou um estilo de governo que seduz os pobres (50% da população), preocupa os empresários e assusta os ricos. Em menos de dois anos de governo, impôs o que vem sendo chamado de "estilo C" (em relação às palavras no espanhol, que começam com essa letra): carisma, mudança ("cambio") e confrontação - esta última, inclusive, é uma constante em seu relacionamento com a imprensa.

Esse economista de esquerda, de classe humilde e que estudou nos Estados Unidos, é visto por seus opositores como "populista, um grande intolerante, com espírito totalitário, que maneja os recursos do Estado de maneira arbitrária", entre eles o ex-candidato à presidência Vladimiro Alvarez, de direita.

Para outros críticos, Correa chegou a uma popularidade de 70%, graças a uma política de subsídios e bônus amparado na súbita alta dos preços do petróleo, principal receita do país.

Estreito aliado do presidente Hugo Chávez, Correa também compartilha a idéia de um "socialismo do século XXI", embora com algumas marcadas diferenças em relação ao projeto venezuelano. Ao contrário de Chávez, Correa não é totalmente adepto das nacionalizações, e sua retórica antiamericana é menos incendiária e radical.

O presidente equatoriano já pediu que as tropas dos EUA deixem o país, no ano que vem, ao se recusar a ampliar o acordo que lhes permite operar a base antidrogas de Manta há uma década.

Também complicou a situação das companhias estrangeiras de petróleo, ao obrigá-las a mudar seus contratos para maior benefício do Estado, além de ordenar o embargo de bens da construtora brasileira Odebrecht por um pleito judicial.

Internamente, mantém pulso firme sobre um amplo setor da imprensa, acusando-a de mediocridade e de ser corrupta e cúmplice da direita opositora.

A má relação com os veículos de comunicação foi compensada por um trato direto com os eleitores. Quase que diariamente é possível vê-lo na varanda presidencial, recebendo elogios, ou desafiando os adversários.

vel/tt

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