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Equador condiciona novos laços a governo sério na Colômbia

Quito - O Equador afirmou na quarta-feira que adiará a retomada de suas relações diplomáticas com a Colômbia até que este país conte com um governo sério, disposto a avançar na busca por uma solução definitiva para a disputa existente entre os dois países.

Reuters |

Os governos equatoriano e colombiano haviam previsto retomar oficialmente suas relações no setor de negócios ainda nesta semana, mas a Colômbia adiou o acordo como forma de protesto contra declarações vindas do presidente do Equador, Rafael Correa, declarações essas que considerou inamistosas.

'O Equador adia indefinidamente a retomada das relações, e isso até que haja (na Colômbia) um governo sério com quem negociar, um governo verdadeiramente comprometido com a paz e não um governo com tão pouca credibilidade', afirmou Correa, durante uma cerimônia realizada na Província costeira de Manabí, a oeste de Quito.

AP
Correa e Uribe trocam farpas 
 O Equador ameaçou ainda restringir as trocas comerciais com a Colômbia, atualmente de cerca de 2 bilhões de dólares e com saldo favorável para este último.

A declaração de Correa soma-se à série de ataques trocados com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, depois de a Colômbia, em março, ter invadido o território equatoriano para atacar um acampamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Apesar das condições impostas por Correa, o Equador manterá abertos os canais de diálogo com a Organização dos Estados Americanos (OEA) a fim de criar mecanismos capazes de garantir a retomada da confiança mútua. O governo equatoriano, ademais, não descarta a possibilidade de os vice-chanceleres dos dois países reunirem-se novamente.

Em meio à nova disputa, um grupo de cidadãos dos dois países, com o apoio do Centro Carter, encontrou-se em Bogotá com Uribe, em busca de melhorar as relações bilaterais.

Esse grupo viajará na quinta-feira a Quito, onde deve conversar com Correa.

O inesperado anúncio colombiano sobre congelar as conversações foi descrito por autoridades equatorianas como um pretexto para justificar sua postura 'incoerente' diante do Equador.

'Na nossa opinião, isso parece um pretexto da Colômbia porque percebemos que não há da parte dela um compromisso sério, coerente e consistente para restabelecer em caráter definitivo as relações entre os dois países', afirmou a chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, a uma rádio colombiana.

O Equador acusa a Colômbia de ter violado sua soberania com a operação militar de março. Já o governo colombiano diz que Correa mantém acordos secretos com as Farc, um grupo rebelde considerado uma organização terrorista pelos EUA e pela União Européia (UE).

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)

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