Na quinta-feira, manifestações contrárias à lei que reduz benefícios salariais deixaram 10 mortos

O projeto de lei que reduz os benefícios salariais de policiais e militares no Equador foi aprovado nesta segunda-feira pela Assembleia Nacional. O texto provocou uma onda de protestos na última quinta-feira, quando centenas de policiais foram às ruas do país e tomaram vários quartéis, entre eles o maior de Quito.

A Assembleia tinha até esta segunda-feira para se pronunciar sobre a lei. Como aprovou o texto, a lei entrou em vigor automaticamente.

Eles também ocuparam, por várias horas, o aeroporto internacional da cidade. De Guayaquil, a maior cidade do país, vieram notícias de saques e assaltos a banco. Escolas e lojas foram fechadas e o governo declarou estado de exceção. Os protestos causaram a morte de 10 pessoas e a renúncia do comandante da polícia do Equador, Freddy Martínez.

Caixão com o corpo de Juan Pablo Bolanos, estudante morto durante revolta policial, é carregado em Quito, no Equador (02/10/2010)
AP
Caixão com o corpo de Juan Pablo Bolanos, estudante morto durante revolta policial, é carregado em Quito, no Equador (02/10/2010)

Na quinta-feira, forças de segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para tentar conter os manifestantes no maior quartel militar de Quito. Ao chegar ao local, o presidente equatoriano, Rafael Correa, foi recebido pelos policiais rebelados com ofensas e pedradas.

Uma bomba de gás lacrimogêneo explodiu a poucos metros do presidente, que foi rapidamente retirado do local por seus guarda-costas e levado para o hospital. Mais tarde, em uma entrevista a uma rádio, Correa afirmou que "policiais rebelados estão tentando entrar no meu quarto, pelo teto". "Se algo acontecer comigo, a culpa é deles", disse ele.

Convocados por membros do gabinete de Correa, simpatizantes se dirigiram ao hospital "para resgatar o presidente", dizendo que havia "gente tentando entrar pelo teto para tirá-lo dali". No caminho, estes entraram em choque com policiais rebelados. No total, Correa passou mais de 12 horas no hospital antes de conseguir ser resgatado.

Após o resgate, Correa disse que "não haverá perdão" para os organizadores do levante. Falando a simpatizantes no Palácio de Governo em Quito, ele afirmou que os responsáveis serão castigados: "Mais do que nunca vamos acabar com estes entreguistas e levar a pátria adiante. Não haverá perdão nem esquecimento", disse.

Ele culpou partidos de oposição e acusou o ex-presidente Lucio Gutiérrez de ser o articulador dos protestos da polícia. "Os [agentes] de Lucio estavam infiltrados ali, incitando a violência", afirmou. Gutiérrez, que está em Brasília, negou ter participação nos acontecimentos. Ele disse que a crise era "um autogolpe de Correa para criar uma ditadura".

Condecorações

Os policiais recebiam condecorações a cada cinco anos, o que significava um aumento salarial, além de bônus anuais. O decreto elimina esses benefícios.

Entretanto, Miguel Carvajal, ministro de Segurança, disse que o decreto não afeta os salários dos policiais, ao explicar que os bônus antes recebidos a cada cinco anos passaram a ser nivelados e incorporados ao pagamento dos oficiais.

A seu ver, a crise está sendo gerada por uma campanha de "desinformação" que busca "utilizar" os policiais para obter fins políticos.

"Isso é uma campanha de desinformação. Há que se perguntar quem são os que têm interesse em desinformar", disse Carvajal. "Policiais, não se deixem manipular", acrescentou.

Com EFE e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.