Segundo ministro da Saúde haitiano, tipo da doença que se espalha pelo país é considerado o mais perigoso

Ao menos 142 pessoas morreram em consequência de uma epidemia de cólera no Haiti, segundo informou nesta sexta-feira o ministro haitiano da Saúde, Gabriel Thimothe. De acordo com o governo haitiano, mais de 1.500 pessoas apresentaram os sintomas da doença, com forte diarreia, febre alta e vômitos.

Mulheres e crianças são vistas em hospital em Saint-Marc, no Haiti (21/10)
AP
Mulheres e crianças são vistas em hospital em Saint-Marc, no Haiti (21/10)

A epidemia está concentrada na região de Artibonite, ao norte da capital, Porto Príncipe. A cólera é uma infecção intestinal provocada por uma bactéria transmitida por meio de água ou comida contaminada. A origem da contaminação é normalmente fezes de pessoas contaminadas. A doença provoca diarreia e vômitos, levando à desidratação severa, e pode matar rapidamente se não for tratada. O tratamento é feito por meio de reidratação e antibióticos.

De acordo com o ministro da Saúde, Alex Larsen, a coléra que já matou 142 no Haiti é o tipo mais periogoso da doença. Larsen precisou que se trata de uma cepa "01" de cólera, que, segundo a OMS, está na origem da maioria das epidemias da doença no mundo.

"É alerta máximo, devemos nos manter mobilizados 24 horas por dia para ajudar o governo a fazer frente a esta situação", disse o presidente da Associação Médica Haitiana, Claude Surena.

Hospitais lotados

A Organização Panamericana da Saúde (OPS) enviou duas equipes para o sul da região de Artibonite, que concentra a maioria dos casos. Autoridades da OPS e do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) se dizem preocupadas com a gravidade da epidemia e o alto número de mortes registrado.

"Nada pode ser verificado neste momento. Não temos números, não temos dados epidemiológicos", afirmou o médico Michel Thieren, coordenador da OPS no Haiti. "O que sabemos é que as pessoas têm diarreia e estão vomitando, e eles podem morrer rápido se não forem vistos em tempo", disse Catherine Huck, vice-diretora da OCHA para o Haiti.

Hospitais no entorno da cidade de Saint-Marc, a cerca de 100 quilômetros de Porto Príncipe, estão lotados com pessoas procurando por atendimento. Em alguns deles, pacientes têm sido atendidos em locais como estacionamentos por falta de leitos. Muitos pacientes estão sendo transferidos para hospitais em outras regiões.

Terremoto

A possibilidade de uma epidemia de cólera era um dos temores gerados após o devastador terremoto que atingiu o país em janeiro e que provocou a morte de cerca de 250 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados.

Muitas pessoas ainda estão vivendo em campos improvisados, sob condições sanitárias precárias e com pouco acesso a água potável, mas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não houve epidemias até agora.

O Departamento de Artibonite não foi tão atingido pelo terremoto, mas milhares de pessoas que perderam suas casas nas áreas atingidas estão vivendo em campos de desabrigados ou com parentes na região.

Com AP e BBC

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