Epidemia da gripe perde força e México afrouxa medidas

Juan David Leal. México, 13 mai (EFE).- O Governo do México flexibilizou hoje as condições de uso de máscaras entre a população, símbolo da luta contra a gripe suína, após perceber que o ritmo de propagação da epidemia segue diminuindo, embora mantenha restrições enquanto estuda uma possível mutação do vírus.

EFE |

O secretário de Saúde do México, José Ángel Córdova, afirmou hoje que "o comportamento da epidemia segue em queda e que 89,4% dos municípios do país (2.500) não tem casos da influenza".

O vírus, que no México causou 60 mortes e infectou 2.386 pessoas - a maioria já deixou o hospital - é letal em 2,5%.

Córdova lembrou que no ano passado morreram no México cerca de 9.500 pessoas com quadros de pneumonia grave relacionados com a "influenza estacional" (gripe comum).

No entanto, o ministro admitiu que existe a possibilidade de que o vírus tenha mutado em uma variedade que poderia ser mais agressiva ou que existam dois tipos do mesmo vírus, embora tenha esclarecido que ainda "é muito cedo" para poder confirmar essas possibilidades, já que não há "evidência científica completa".

Córdova lembrou que o vírus AH1N1 "tem alta capacidade de mutação, até maior que a do vírus da aids", e afirmou que um dos dois tipos "seria mais virulento que o outro".

Isso poderia explicar por que em alguns pacientes o vírus foi "mais agressivo", disse o ministro, embora tenha reiterado que para dar com as diferenças entre o vírus original e o novo é necessário "o sequenciamento do genoma dos mesmos".

Enquanto isso, "a vida econômica precisa retomar com toda energia e as medidas recomendadas nos permitem fazê-lo com segurança", afirmou o ministro da Saúde.

Segundo ele, essa é "a melhor forma de mostrar ao mundo que a vida cotidiana se restabelece" e que o México está "voltando à normalidade".

Outra razão de otimismo para o Governo é que nos estados de Baixa Califórnia Sul e Coahuila não há uma única pessoa com a gripe.

Coisa parecida ocorre nos estados de Campeche, Chiapas, Chihuahua, Durango, Guanajuato, Guerrero, Jalisco, Nuevo León, Oaxaca, Sonora e Iucatã, onde mais de 90% dos municípios se encontram completamente livre do vírus.

Atualmente, "o controle da epidemia deverá ser focado nas cidades com surtos" e não estendido a todo o país, frisou Córdova Perto de 95% dos pacientes que morreram no México apresentaram os primeiros sintomas da doença antes de 23 de abril, data em que as autoridades lançaram o alerta de saúde no país.

Nesse mesmo dia, o México recebeu de laboratórios canadenses os resultados de umas análises que confirmaram a presença de um novo vírus no país nunca antes descrito pela medicina.

"Aprendemos a cuidar de nossa saúde e da de nossos filhos com as medidas higiênicas básicas", afirmou.

O Executivo segue recomendando evitar a saudação de mão e de beijo, e manter o uso das máscaras.

No entanto, pela primeira vez desde o início do alerta de saúde Córdova disse que sua utilização é necessária apenas "em lugares de aglomeração não controlada, como no transporte público".

O ministro chegou até a afirmar hoje que "os centros escolares permitem o controle de casos, por isso que o uso de máscaras não é necessário, estritamente falando, nas escolas".

Com efeito, nas ruas da capital mexicana cada vez se veem menos pessoas com máscaras, o que no auge da epidemia era comum e chegou a virar símbolo da luta contra a gripe.

Durante um percurso por algumas avenidas da Cidade do México algumas pessoas disseram à Agência Efe que não utilizam a máscara desde que o alerta de saúde foi reduzido no país, há uma semana.

Apesar do nome, a doença não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE jd/rr

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