Enviados do dalai lama se encontram com chineses para tentar resolver crise

Pequim, 4 mai (EFE).- Representantes do Governo chinês receberam hoje dois representantes do dalai lama, no primeiro encontro entre os dois grupos desde o início do conflito no Tibete, foco da crise que a reunião busca resolver, pelo menos de forma momentânea.

EFE |

A importância dessas conversas, que, segundo o Governo tibetano no exílio, acontecem na cidade de Shenzhen, fica evidente pelo fato de o próprio presidente chinês, Hu Jintao, ter se referido a ela, já que a China mantinha silêncio sobre esses contatos que ocorrem desde 2002.

"Espero que os encontros com os representantes do dalai lama a partir de hoje produzam um resultado positivo", disse Hu, em Pequim, em uma entrevista coletiva para jornalistas japoneses antes de sua viagem ao Japão, na próxima terça-feira.

Sobre as acusações da China do envolvimento do líder tibetano nos atos violentos na região, o presidente chinês disse que "o julgamento sobre uma pessoa deve se basear em seus feitos, e não em suas palavras".

Hu disse confiar em que o dalai lama adotará "ações concretas para parar os crimes violentos e atividades que resultem na interrupção dos Jogos Olímpicos e na separação da mãe pátria, a fim de criar condições para conversas futuras".

As reuniões que começam hoje, e que, segundo os tibetanos, podem durar até três dias, não estarão focadas em discutir soluções a longo prazo para o conflito, mas sim em buscar uma saída rápida para a atual crise.

"Nossa preocupação imediata é que termine a repressão e que todas as restrições contra os tibetanos sejam suspensas", afirmou hoje, na Índia, o porta-voz do Governo tibetano no exílio, Thubten Samphel.

Segundo o Governo chinês, que não precisou o local dos encontros, as conversas contam com a participação de Zhu Weiqun e Sitar, pelo lado chinês, e Lodi Gyaltsen Gyari e Kelsang Gyatsen, pelo tibetano.

Os dois representantes chineses, que já participaram de conversas anteriores com enviados do dalai lama, pertencem ao Departamento de Trabalho da Frente Unida do Partido Comunista da China, responsável por conduzir o diálogo com os tibetanos.

Os emissários tibetanos também têm experiência nestes encontros, que desde 2002 já aconteceram seis vezes, sem avanços significativos devido à discrepância nas posturas.

A China não está disposta a renunciar a nenhuma parte do território tibetano, que abrange várias províncias e ocupa cerca de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de um quarto do total do país.

O gigante asiático também não pretende aceitar a proposta do dalai lama, que renunciou à reivindicação de independência em 1988, na proposta de Estrasburgo, em troca de uma autonomia política com um "apropriado sistema democrático" para o que é conhecido como "Grande Tibete".

Apesar das diferenças, muitos consideram que um desfecho feliz será muito mais fácil enquanto o 14º dalai lama, Tenzin Gyatso, de 73 anos, estiver vivo.

"Alguns críticos do Governo chinês parecem crer que as aspirações dos tibetanos perderão força quando o dalai lama morrer", mas, caso isso aconteça, será "impossível que a população inteira seja capaz de conter seu ressentimento e fúria", disse o enviado Lodi Gyari, após um dia de diálogo com a China, em 2006.

O conflito ficou hoje novamente em evidência nas críticas que a imprensa estatal chinesa, como de praxe, fez contra o regime liderado pelo dalai lama.

"O Governo tibetano no exílio é de fato ainda um poder teocrático, uma integração de igreja e Estado com o dalai lama no topo", disse Bi Hua, do Centro de Pesquisa de Tibetologia da China, à agência estatal chinesa "Xinhua".

Para a especialista, se trata de "outra igreja medieval da Europa sob a fantasia da atual democracia ocidental", na qual o dalai lama tem a última palavra sobre os três poderes.

Outro especialista no Tibete, Renzhen Luose, disse que o dalai lama, descrito por alguns veículos de comunicação ocidentais como "líder espiritual", é na realidade uma "figura política que nunca deixou de buscar a independência tibetana". EFE cg/rr/an

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