Enviados do dalai lama acusam representantes chineses de falta de compromisso

Nova Délhi, 5 jul (EFE).- Os enviados do dalai lama, Lody Gyari e Kelsang Gyaltsen, acusaram hoje os representantes do Governo chinês de não ter um compromisso sério e sincero, durante a sétima rodada de conversas desenvolvida esta semana.

EFE |

"Durante nossas discussões, tivemos que transferir a nossos interlocutores que, à revelia de um compromisso sério e sincero por sua parte, a continuidade do atual processo de diálogo não será útil", disseram Gyari e Gyaltsen, em comunicado.

Os representantes do líder espiritual tibetano se reuniram esta semana em Pequim com funcionários chineses liderados por Du Qingling, diretor da Frente de Trabalho Unido do Partido Comunista, dentro da sétima rodada de conversas do processo de diálogo iniciado em 2002.

Segundo a nota, os representantes chineses consideram que as conversas foram produtivas e acham que "um assunto de grande complexidade que se remonta a meio século não pode ser resolvido em questão de anos".

As duas partes decidiram retomar as conversas em outubro e discutiram alguns pontos básicos que estarão na agenda desse diálogo.

Além disso, Gyaltsen e Gyari disseram ao Governo chinês que a questão a debater é o bem-estar do povo tibetano, e não o status pessoal do dalai lama ou dos exilados.

Durante as conversas, o Governo chinês pediu ao dalai lama que se comprometesse a não apoiar nenhuma atividade que prejudicasse os Jogos Olímpicos nem ações criminosas.

"Colocamos nos termos mais contundentes possíveis que não é necessário nos ater a essa questão (rejeitar a violência), já que Sua Santidade e o movimento tibetano são universalmente conhecidos e apreciados por sua oposição a esses atos", acrescentou a nota.

Em 10 de março, monges tibetanos, com o apoio da população civil, protagonizaram protestos tanto em Lhasa, a capital da Região Autônoma do Tibete, quanto nas províncias de Sichuan, Gansu e Qinghai, por ocasião do aniversário da fracassada rebelião de 1959 que custou o exílio do dalai lama, que vive na Índia.

Os protestos geraram distúrbios que, segundo o Governo chinês, causaram a morte de 20 civis, enquanto as autoridades tibetanas no exílio denunciaram 203 mortos. EFE mb/an

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