Enviado especial da ONU chega a Mianmar para pressionar Junta Militar

Bangcoc, 18 ago (EFE).- O enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, chegou hoje a Mianmar (antiga Birmânia) em uma nova tentativa por convencer à Junta Militar que deve realizar reformas democráticas e incluir o líder opositora Aung San Suu Kyi nesse processo político.

EFE |

Esta é a quarta visita de Gambari ao país asiático desde que há um ano aconteceu o primeira protesto de rua que desencadeou as grandes manifestações pacíficas de setembro de 2007.

Em 18 de agosto de 2007, um reduzido grupo de estudantes saiu às ruas de Yangun para denunciar, em princípio, a carestia dos produtos básicos por causa da alta do preço dos combustíveis.

Pelo menos 31 pessoas morreram na violenta repressão das forças de segurança, tendo a revolta se estendendo por outras regiões do país a que foi chamada "revolução açafrão", por causa da cor dos hábitos dos monges budistas que lideraram as manifestações.

Em comunicado emitido poucas horas antes de sua chegada a Yangun, a antiga capital, Gambari disse que retorna a Mianmar para continuar com as "consultas com o Governo e outras partes relevantes".

Por sua parte, a Liga Nacional pela Democracia (LND), de Suu Kyi, considerada o símbolo da democracia e cativa do regime militar desde 2003, expressou sua confiança em que a visita de Gambari produza resultados positivos.

Gambari retomou a missão de cinco dias depois que a semana passada cinco membros da LND fossem condenados a penas de dois anos e meio de prisão por organizar uma marcha pacífica para comemorar o vigésimo aniversário de revolta popular do dia 18 de agosto de 1988, no qual morreram cerca de 3.000 pessoas pelas mãos dos soldados.

No começo de outubro do ano passado e quando as forças de segurança continuavam perseguindo seguidores da oposição, a Junta Militar nomeou o general Aung Kyi seu elo oficial com oposição e Nações Unidas.

Desde então, Kyi se encontrou cinco vezes com Suu Kyi, embora nenhuma dessas reuniões tenham dado sinais positivos para a oposição.

Durante um ano, Gambari tenta, sem sucesso, convencer o regime para que inicie um diálogo político com Suu Kyi e a LND, com o objetivo de canalizar um processo de reformas políticas que seja aceitável para a comunidade internacional.

Em princípio, a visita de Gambari estava planejada para maio passado, mas foi cancelada por causa do ciclone que no começo desse mesmo mês arrasou o delta do rio Irrawaddy, no sul de Mianmar. EFE grc/ma

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