Enviado dos EUA tenta salvar acordo nuclear com Coréia do Norte

Um alto funcionário diplomático dos Estados Unidos chegou de carro nestaa quarta-feira à Coreia do Norte para tentar um acordo que evite a reconstrução da usina nuclear local.

Redação com Reuters |

Acordo Ortográfico Nas últimas semanas, o regime comunista norte-coreano expulsou monitores das Nações Unidas e começou a recuperar as instalações que produzem plutônio enriquecido, matéria-prima para armas atômicas.

A agência oficial de notícias KCNA confirmou que o secretário-assistente de Estado Christopher Hill chegou a Pyongyang vindo de Seul, depois de atravessar uma das fronteiras mais militarizadas do mundo. Uma importante fonte oficial norte-americana disse que esse é "um derradeiro esforço para colocar as coisas nos trilhos".

Uma fonte do governo sul-coreano declarou à agência Yonhap, do seu país, que "os EUA vieram com uma proposta revista do protocolo de verificação", mas o Departamento de Estado dos EUA negou que haja qualquer alteração na "substância" do mecanismo em discussão para verificar as declarações nucleares norte-coreanas.

Analistas dizem que a Coreia do Norte pode estar tentando aproveitar a fraqueza política do governo Bush, em fim de mandato, para arrancar concessões ou então estaria na expectativa de conseguir um acordo melhor com o próximo presidente norte-americano, que toma posse em janeiro.

"O que eles têm feito, obviamente, vai contra o espírito do que temamos realizar", disse Hill na terça-feira. Ele deve ter mais reuniões com funcionários locais na quinta-feira antes de voltar a Seul, de onde segue para Pequim e Tóquio.

Há uma discreta atividade no local onde a Coreia do Norte realizou seu teste nuclear de 2006, que fica na costa leste, distante de Yongbyon, o que indica uma possível obra para a recuperação da base de testes, segundo declarou uma outra fonte do governo sul-coreano à Yonhap. A agência sul-coreana de espionagem não confirmou o relato.

Na quinta-feira, as duas Coreias mantêm seu primeiro diálogo direto desde que um novo presidente tomou posse em Seul, com um discurso linha-dura em relação ao vizinho comunista.

A Coreia do Norte havia iniciado a destruição de Yongbyon, um reator do tempo soviético, em novembro passado, conforme previa o acordo com EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul. Em troca, Pyongyang deveria receber benefícios políticos e econômicos, especialmente na forma de energia.

Especialistas dizem que o desmonte da usina estava quase concluído, e que reverter o processo levaria cerca de um ano. Pyongyang diz que retomou as atividades porque os EUA queriam fazer inspeções intrusivas demais e estão demorando muito para retirar a Coreia do Norte de sua lista de "Estados patrocinadores do terrorismo".

Washington diz que o fará quando os norte-coreanos aceitarem um mecanismo "robusto" de verificação. "A proposta dos EUA de uma inspeção unilateral na República Popular Democrática da Coreia é uma asserção digna de um gângster, destinada a desarmar a RPDC", disse um diplomata norte-coreano na semana passada à agência oficial KCNA, na ONU.

Se for retirado da "lista negra" norte-americana, a miserável e misteriosa Coreia do Norte terá mais condições de receber ajuda financeira internacional.

Acredita-se que o Norte tenha produzido em Yongbyon plutônio suficiente para seis a oito armas nucleares.

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