Por Suleiman al-Khalidi AMÃ (Reuters) - O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, exortou nesta segunda-feira Israel e os palestinos a observarem um período de calma a fim de retomar as negociações de paz, colocadas em risco por uma disputa em torno dos planos de assentamento em Jerusalém Oriental.

O anúncio feito por Israel durante uma visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, duas semanas atrás, de que construiria 1.600 casas para judeus no território ocupado perto de Jerusalém Oriental causou constrangimento a Washington e ameaçou os planos de negociações indiretas com os palestinos.

"Em nome dos Estados Unidos e do presidente, exorto todos os lados a exercitarem a moderação. Agora se faz necessário um período de calma e silêncio, no qual possamos avançar nas iniciativas com as quais estamos comprometidos", disse Mitchell a jornalistas após se reunir com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Amã.

A questão do assentamento e a violência crescente na Cisjordânia ocupada, onde as forças israelenses mataram quatro palestinos em dois dias, ameaçam as iniciativas de Mitchell para retomar conversações de paz.

Mitchell disse que Abbas expressou preocupação com a violência, mas ainda está otimista de que as discussões indiretas, conhecidas como "conversas por proximidade", entre os dois lados comecem em breve após um hiato de 15 meses nas negociações diretas.

"Discutimos uma ampla série de questões, incluindo nosso desejo em comum de começar as conversas por proximidade o mais cedo possível de uma forma que esperamos que levem às negociações diretas", acrescentou.

Abbas foi citado pela agência de notícias palestina Wafa advertindo os israelenses sobre as repercussões da violência que tem exacerbado as tensões.

O Exército israelense matou a tiros neste fim de semana dois homens de 19 anos que, segundo os militares, tentaram esfaquear um soldado em patrulha nas proximidades de Nablus, na Cisjordânia ocupada.

A agência de notícias disse que Abbas pediu que os israelenses "não nos arrastem para o que não gostamos e leve os israelenses para o que eles não gostam. O que aconteceu em Nablus é uma questão extremamente grave e a situação é extremamente perigosa."

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