Enviado dos EUA fracassa em tentativa de retomar diálogo no O.Médio

Antonio Pita. Jerusalém, 18 set (EFE).- O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, retorna a seu país, após cinco dias de intensa atividade diplomática, sem ter conseguido que israelenses e palestinos aceitassem voltar ao diálogo de paz, estagnado desde o final de 2008.

EFE |

Mitchell deixa hoje Jerusalém após ter se reunido duas vezes ao longo do dia com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e uma com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na cidade cisjordaniana de Ramala.

O fracasso da visita não deixa apenas um ambiente de pessimismo, mas também israelenses e palestinos trocando acusações de intransigência em suas respectivas posturas.

"Os encontros de hoje não trouxeram absolutamente nenhuma mudança à situação", afirmou uma fonte oficial israelense à edição digital do jornal "Ha'aretz".

Mitchell pretendia conseguir com que as partes voltassem à mesa de negociações com um simbólico encontro entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, Abbas e o presidente americano, Barack Obama, em Nova York na próxima semana, durante a reunião da Assembleia Geral da ONU.

A citada fonte reconheceu que "não foi fixada uma data para a cúpula nem houve progressos" para conseguir que a mesma aconteça.

O principal empecilho continua sendo a recusa de Israel em parar a ampliação dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia.

Essa é a condição dos palestinos para retomar o diálogo, de acordo com as obrigações do Estado judeu contidas no Mapa do Caminho, o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (EUA, União Europeia, ONU e Rússia).

O enviado especial teve sua última reunião hoje, com o chefe de Governo israelense, que não cedeu à pressão de Washington.

O porta-voz de Netanyahu, Mark Regev, não quis fazer comentários à Agência Efe sobre o resultado da reunião, nada menos que a quarta entre os dois políticos no mesmo número de dias.

Mitchell tentou, sem sucesso, convencer Netanyahu a ceder nesse ponto, e o presidente da ANP para que reduzisse suas exigências.

Ontem à noite, em entrevista à televisão israelense, Netanyahu deixou claro que, se "congelar" a atividade nos assentamentos "significa zero construção", então "certamente" não haverá acordo.

"Há 2,4 mil casas atualmente em construção e outras 500 aprovadas. Querem chamar isso de 'congelamento'? Eu não chamo assim.

Chamo de arrefecimento na construção e estou disposto a fazer isso para ajudar o processo (diplomático) e, em paralelo, preservar a vida normal dos residentes" dos assentamentos", disse.

Hoje, havia especulações sobre a possibilidade de Mitchell retornar à tarde a Ramala para um novo encontro com Abbas, mas o negociador americano finalmente voltou a seu país, em uma prova da ineficácia de seus esforços.

Após a reunião entre Mitchell e Abbas, o chefe de negociação palestino, Saeb Erekat, advertiu da distância entre suas posições e as de Israel.

"Gostaríamos de atender ao presidente (americano, Barack) Obama, mas Israel não se compromete a uma paralisação total da atividade nos assentamentos. Não é aceitável nem para nós, nem para os americanos", disse Erekat.

A agência oficial palestina "Wafa" informou que Mitchell reconheceu a Abbas que não tinha conseguido fazer com que Netanyahu voltado atrás em sua recusa em parar a ampliação dos assentamentos judaicos.

Ontem, em um dia com a agenda cheia, Mitchell visitou Jordânia, Egito e Líbano, onde tentou obter o apoio de países árabes vizinhos ao processo de paz e obter gestos de normalização em relação a Israel.

No Cairo e em Amã, o enviado especial da Casa Branca pediu, respectivamente, "ações concretas" e "passos tangíveis" para criar um ambiente positivo que permitisse a retomada do diálogo. EFE ap-nm/an

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