Ramala, 27 jul (EFE).- O enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell, se mostrou confiante em um pronto reatamento das negociações de paz no Oriente Médio, após se reunir hoje em Ramala com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), o moderado Mahmoud Abbas.

"Confio em que em breve retomaremos as negociações e alcançaremos a paz com um acordo entre palestinos e israelenses, israelenses e sírios, e israelenses e libaneses", disse em coletiva de imprensa após o encontro, que durou duas horas.

Mitchell reiterou que o objetivo final do processo negociador deve ser a "normalização entre Israel e o mundo árabe". "A mensagem que estamos levando a todas as partes é sempre a mesma, que queremos ajudar a conseguir a paz", disse.

O enviado americano ressaltou que com esse objetivo se reunirá amanhã em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, após ter feito o mesmo hoje nessa mesma cidade com o presidente de Israel, Shimon Peres.

Em comunicado após o encontro entre Mitchell e Abbas, o chefe negociador palestino, Saeb Erakat, deu as boas-vindas à nova visita do enviado americano, e reiterou "a disposição dos palestinos em cumprir as obrigações do Mapa de Caminho", plano que guia todos os esforços negociadores.

"Esperamos que o resto das partes também cumpram suas obrigações", adverte o comunicado, em que Erekat considera que "o que está em jogo é a credibilidade do processo", e pede do Quarteto de Paz - integrado por EUA, UE, ONU e Rússia -, "relatórios dos avanços que ocorram nesse sentido".

Erakat minimizou o desmantelamento de algumas colônias judaicas que não contavam com a autorização do Governo israelense, e ressaltou que "Israel não tem intenção de parar a atividade nos assentamentos, em particular em Jerusalém Oriental", onde os palestinos exigem estabelecer a capital de um Estado independente.

Além de Israel e do território palestino da Cisjordânia, a viagem de Mitchell pelo Oriente Médio também incluiu escalas no Cairo e em Damasco, onde expôs a necessidade de resolver o conflito regional a partir de um acordo global.

A viagem de Mitchell acontece uma semana depois de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, dizer aos ministros de Assuntos Exteriores da UE que Israel aceitaria suspender de forma temporária a construção nas colônias judaicas dentro de um compromisso com o Governo americano.

Essa paralisação da atividade nos assentamentos judaicos serviria, segundo Hillary Clinton, para reativar o processo de paz.

Fontes israelenses e americanas citadas pelo diário "Ha'aretz" confirmaram que EUA e Israel estão perto de chegar a um acordo nesse sentido, mas anteciparam que a questão não será colocada publicamente por Mitchell em sua atual visita à região. EFE nm/rr

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