Por Robert Evans GENEBRA (Reuters) - O embaixador hondurenho junto à ONU em Genebra, José Delmer Urbizo, disse nesta segunda-feira que foi expulso do Conselho de Direitos Humanos da ONU depois de ter sido acusado por outros países latino-americanos de representar um regime ilegal.

Após um dia de confusão que paralisou o início da sessão de três semanas do Conselho, Delmer deixou o plenário gritando "Voltaremos!" em inglês e espanhol.

Argentina, Brasil, México e Cuba alegaram que Urbizo, há três anos embaixador em Genebra, só poderia permanecer na sessão se contasse com a aprovação do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya.

O presidente do Conselho de Direitos Humanos, o belga Alex van Meeuwen, disse que Delmer não poderia responder, pois Honduras é apenas um país observador nesse órgão, e que ele deveria sair enquanto suas credenciais eram verificadas.

"Fui expulso. Colocaram os guardas da segurança em cima de mim para garantir que eu saísse", disse Delmer a jornalistas, escoltado por agentes da polícia da ONU. "Mas voltaremos, não se enganem, e essa gente verá o que fez."

Van Meeuwen divulgou um comunicado no qual afirmou ter tomado conhecido na tarde desta segunda que o governo de Zelaya teria escrito uma carta em 20 de agosto indicando que Delmer Urbizo "não representava o presidente constitucional".

"Espero ter um esclarecimento desta questão técnica e organizacional, embora ainda muito sensível, para que então o Conselho de Direitos Humanos possa proceder com seu trabalho e seguir o programa que definimos", afirmou.

"Continuaremos a discutir esta questão que segue na mesa. Devo deixar bem claro que o Conselho de Direitos Humanos não exclui nenhum país de participar de suas sessões".

PRONUNCIAMENTO ADIADO

Delmer declarara apoio ao governo interino de Roberto Micheletti, empossado depois do golpe militar de junho em Honduras que depôs Zelaya, e afirmou que voltará depois das eleições marcadas para novembro, cuja legitimidade é contestada pela comunidade internacional.

A Assembleia Geral da ONU recomendou que nenhum país reconheça o governo provisório de Honduras, e nenhum país se manifestou em apoio a Delmer. No entanto, nenhum diplomata se apresentou como representante do governo de Zelaya.

Por causa do impasse entre os latino-americanos, a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, adiou um pronunciamento sobre a falta de direitos fundamentais para mulheres em diversos países, como Sudão, Afeganistão e nações do golfo Pérsico.

O Conselho de Direitos Humanos deve abordar, entre outras questões, a ação militar deste ano de Israel na Faixa de Gaza. Países em desenvolvimento costumam usar esse fórum para fazer críticas ao Estado judeu, em detrimento de abusos cometidos em outros lugares, com Tibet e Sri Lanka.

Em sua primeira participação como membro com direito a voto, os EUA disseram que irão tentar tratar de abusos que aconteçam em todos os lugares do mundo. "Os Estados Unidos não irão olhar para o outro lado diante de abusos sérios aos direitos humanos. Embora iremos buscar um terreno comum, chamaremos as coisas conforme as vemos, e manteremos nossa posição quando a verdade estiver em jogo," disse a secretária-assistente de Estado Esther Brimmer.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay)

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