Enviado da UE admite falta de avanços na crise humanitária em Mianmar

O comissário europeu de Desenvovimento, Louis Michel, admitiu nesta sexta-feira em Mianmar que até o momento não conseguiu convencer a junta militar a abrir suas fronteiras às equipes estrangeiras para evitar que o número de mortos após a passagem do ciclone Nargis aumente.

AFP |

Duas semanas depois da catástrofe, que deixou mais de 71.000 mortos e desaparecidos, Michel afirmou à AFP que não foi autorizado a viajar para o Delta do Irrawaddy (sudoeste), a região mais devastada pelo ciclone, antes de sua partida prevista para a noite desta sexta-feira.

"Fui autorizado a ir no sábado mas, infelizmente, estou impossibilitado de ficar por mais tempo devido a compromissos na Europa", lamentou Michel.

Ao término de seus encontros com autoridades birmanesas, o emissário de Bruxelas reconheceu não ter obtido avanços imediatos na ajuda aos desabrigados.

Michel chegou a Mianmar na quarta-feira para tentar convencer a junta militar a permitir a entrada de grande parte da ajuda humanitária internacional para os cerca de dois milhões de sobreviventes do ciclone, a maior parte dos quais não recebeu assistência alguma.

O comissário europeu afirmou, por outro lado, que as autoridades birmanesas asseguraram que examinariam seu pedido por novos vistos para as equipes estrangeiras.

"Dentro de alguns dias, se não obtiver uma resposta concreta a todas estas questões, poderei emitir uma opinião, mas no momento não posso fazê-lo", declarou à AFP.

Organizações não governamentais (ONGs) e agências das Nações Unidas esperam obter vistos para seu pessoal, mas a junta, preocupada com sua soberania, se nega a permitir que as operações de socorro maciças sejam dirigidas por estrangeiros.

Na quinta-feira, Michel pediu "ações concretas" a Mianmar e anteriormente havia advertido que este país do Sudeste Asiático está ameaçado pela fome após a destruição de "todas as reservas de arroz" pelo ciclone.

A representante da Federação Internacional da Cruz Vermelha, Bridget Gardner, de retorno após uma viagem a Irrawaddy, também relatou "muitos atos de heroísmo" de voluntários birmaneses, eles mesmos desabrigados, que ajudavam seus compatriotas.

A Cruz Vermelha pediu 32,7 milhões de euros à comunidade internacional para fornecer ajuda às vítimas, advertindo que a situação está se agravando.

A ONU aguarda o resultado de uma reunião ministerial, na próxima segunda-feira em Cingapura, de países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar faz parte, para decidir o local e os participantes de outra "conferência de pedido de fundos", declarou a porta-voz das Nações Unidas em Nova York, Michele Montas.

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