Enviado da Otan diz que Cabul é mais segura que NY para crianças

Em programa de TV, Mark Sedwill afirma que há "pouquíssima bombas" na capital do Afeganistão

iG São Paulo |

O principal representante civil da Otan no Afeganistão, Mark Sedwill, afirmou em entrevista transmitida nesta segunda-feira que é "provavelmente mais seguro" criar uma criança nas grandes cidades afegãs do que em lugares como Nova York ou Londres.

Sedwill participava do "Children's BBC Newsround", popular noticiário da rede britânica destinado às crianças, quando ouviu moradoras de Cabul, capital afegã, dizerem que se sentem inseguras nas ruas fa cidade por medo de bombas. Em sua resposta, o representante da Otan minimizou o problema.

"Aqui em Cabul e nas outras grandes cidades (afegãs), na verdade há pouquíssimas dessas bombas", disse ele. "As crianças provavelmente estão mais seguras aqui do que estariam em Londres, Nova York, Glasgow ou muitas outras cidades", acrescentou, segundo trechos da entrevista divulgados pela emissora.

Um especialista da entidade Save the Children contestou a tese de Sedwill. "Uma em cada cinco crianças (do Afeganistão) morre antes de chegar aos 5 anos de idade. Então, dizer que é mais seguro do que viver em Londres, Nova York ou Glasgow é uma idiotice", afirmou.

Sedwill se defendeu dizendo que estava tentando explicar que a violência não é igual em todas as partes do Afeganistão e que em cidades como Cabul, onde a segurança havia melhorado, a situação era comparável à vivida por crianças no Ocidente.

"Qualquer comentário que se tenha de esclarecer é porque obviamente não foi muito bem colocado e a comparação feita com cidades no Ocidente tirou a atenção da questão importante que eu estava tentando expor", disse Sedwill, em comunicado.

A ONU estima que 1.795 crianças afegãs tenham sido mortas ou feridas por causa da guerra entre setembro de 2008 e agosto de 2010.

Em novembro de 2009, um relatório do Unicef (Fundo da ONU para a Infância) disse que o Afeganistão é o lugar mais perigoso do mundo para se nascer - tem a maior mortalidade infantil do planeta, e dois terços da população não tem acesso à água tratada.

O relatório dizia que 43% do país estava fora do acesso das agências humanitárias por causa da falta de segurança, e que isso dificultava campanhas de vacinação e saúde para crianças.

Com Reuters

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