Enviado da ONU sobrevoa zona afetada por ciclone em Mianmar

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 19 mai (EFE).- O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, John Holmes, sobrevoou hoje de helicóptero a zona mais afetada pelo ciclone Nargis em Mianmar (antiga Birmânia), enquanto a Junta Militar do país aprovou que a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) coordene a ajuda humanitária na região.

EFE |

Holmes observou do alto a rota desde Yangun até o delta do rio Irrawaddy, no sudoeste de Mianmar, onde morreu a maior parte das 77.738 vítimas e onde pelo menos 55.917 pessoas continuam desaparecidas, segundo dados do regime militar.

A missão do diplomata britânico Holmes, que chegou ontem ao país e que incluiu em sua agenda reuniões com as autoridades birmanesas, precede a visita que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, efetuará na quarta-feira para tentar obter a plena colaboração da Junta Militar.

Ban Ki-moon escreveu e ligou em várias ocasiões para o líder birmanês, o general Than Shwe, mas sem conseguir resposta. Por isso, não se sabe se eles tiveram contato nesta ocasião.

Than Shwe, de 74 anos, afastou no domingo - com sua presença na zona arrasada - os rumores sobre problemas de saúde que haviam sido suscitados por sua ausência em atos públicos após a passagem do ciclone pelo sul do país entre 2 e 3 de maio.

O veterano general visitou centros de desabrigados nos distritos de Hlaing Thar Yar e Dagon, onde distribuiu material de emergência e conversou com algumas vítimas.

O diário estatal "New Light of Myanmar", que o Governo frequentemente utiliza para divulgar suas mensagens à comunidade internacional, mostrou hoje imagens de Than Shwe acariciando bebês e recebendo mostras de admiração e respeito dos birmaneses desabrigados.

Por sua parte, e enquanto a Junta Militar birmanesa rejeita reiteradamente os voluntários estrangeiros que lhe são oferecidos pelos Estados Unidos, Austrália, França e outros países, o ministro de Assuntos Exteriores birmanês, Nyan Win, aceitou hoje em Cingapura que a Asean coordene as operações humanitárias na região.

O ministro de Assuntos Exteriores cingapuriano, George Yeo, anunciou que "Mianmar aceitou a ajuda internacional", e assegurou que "a assistência internacional dada ao país através da Asean não terá medidas políticas", após uma reunião ministerial de urgência do bloco regional.

"Os ministros de Exteriores decidiram estabelecer um mecanismo de coordenação dirigido pela Asean. Para começar, Mianmar autorizou o envio imediato de equipes médicas de todos os países-membros da Asean", acrescentou Yeo.

A Asean é integrada por Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Nyan Win, que apresentou a situação em seu país a seus colegas, avaliou em US$ 10 bilhões os estragos causados pelo "Nargis".

O ministro cingapuriano indicou que Mianmar planeja organizar uma conferência internacional de doadores em Yangun no próximo dia 25.

A porta aberta à Asean contrasta com as restrições que vêm sofrendo as agências da ONU e ONGs humanitárias desde que teve início a catástrofe.

Marcus Prior, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), indicou que a organização conseguiu visto de entrada - em alguns dos 120 acampamentos de desabrigados localizados no delta do Irrawaddy - para 17 especialistas, que agora não podem sair de Yangun.

A ONU conta na atualidade com 72 profissionais estrangeiros em Yangun e com 109 birmaneses nas áreas arrasadas, segundo dados do Escritório de Coordenação de Assistência Humanitária (Ocha) das Nações Unidas.

O Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu afirmou, na sexta-feira passada, que a Junta Militar birmanesa havia "declarado guerra a seu próprio povo", e se uniu aos que pensam que o regime poderia ser acusado por crimes contra a humanidade por não atender como devia as vítimas do ciclone. EFE fmg/fh/gs

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