Enviado da ONU chega à região de conflito no Congo

O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, novo enviado especial das Nações Unidas ao Congo, chegou neste sábado à região de conflito, no leste do país. Depois de conversar com o presidente Joseph Kabila, em Kinshasa, Obasanjo quer se encontrar com o líder rebelde Laurent Nkunda, com quem já falou por telefone.

BBC Brasil |

Ainda não há informações sobre a conversa entre o enviado da ONU e o presidente Kabila.

A visita do ex-presidente nigeriano acontece um dia depois de os governos de Ruanda e da República Democrática do Congo fecharem um acordo de cooperação para combater forças rebeldes que atuam na fronteira dos dois países e são acusadas de causar o genocídio de 1994 em Ruanda.

Em entrevista a jornalistas no sábado, Obasanjo confirmou que iria encontrar Nkunda durante uma visita à província de Kivu do Norte.

"Eu estou indo para Goma (capital da província) e de lá vou encontrar NKunda. Ele foi gentil de me ligar há três dias ainda quando estava na Nigéria", disse o enviado.

Obasanjo disse que "é grande a expectativa" de conversar frente a frente com o líder rebelde congolês.

Segundo informações da agência de notícias Associated Press, o porta-voz de Nkunda disse que o encontro aconteceria no domingo na cidade de Rutshuru, controlada pelos rebeldes, ao norte de Goma, ou em Bunagana, na fronteira com Uganda.

Ajuda humanitária
Na sexta-feira, após semanas de combates, a ONU conseguiu enviar milho e lentilhas para cerca de 50 mil pessoas que estão passando fome em Rutshuru.

"Não consigo me lembrar há quantos dias minha família não come. Deve ser uns quatro ou cinco dias", disse a professora Djuma Kabere.

Em uma coletiva em Kigali, capital de Ruanda, os ministros das Relações Exteriores da Ruanda e do Congo se comprometeram na sexta-feira a adotar uma série de medidas que, segundo correspondentes, pode mudar a situação na região.

Ambos concordaram com o envio de agentes de inteligência de Ruanda para o Congo, onde vão trabalhar com o Exército congolês e a comunidade internacional para ajudar a combater a presença da mílicia hutu que atua nas montanhas e florestas da região.

Os combatentes das FDLR (Forças Democráticas pela Libertação de Ruanda) vivem no leste do Congo desde 1994 e são apontados como um importante fator de desestabilização na região.

Cerca de 250 mil pessoas abandonaram suas casas no Congo para fugir da violência desencadeada em agosto pelos confrontos entre os rebeldes liderados por Nkunda e forças do governo.

O governo do Congo já prometeu diversas vezes impedir que as forças hutu atuem em seu território, mas ainda não havia tomado medidas efetivas para cumprir a promessa.

As forças congolesas são acusadas de ajudar as FDLR a explorar as ricas minas da região.

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