O ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, enviado das Nações Unidas à República Democrática do Congo, está reunido neste domingo com o líder rebelde Laurent Nkunda. Obasanjo foi recebido por Nkunda, que trocou o uniforme militar por um terno cinza, na cidade de Joma, controlada pelos rebeldes, ao norte de Goma, capital da província de Kivu do Norte.

No sábado, Obasanjo disse que era importante saber exatamente quais as exigências de Nkunda. O líder rebelde diz estar lutando para proteger a comunidade da etnia tutsi dos ataques dos hutus, que fugiram da Ruanda para o Congo após o genocídio de 1994.

Em recente entrevista à BBC, Nkunda disse que queria controlar o país.

Segundo o correspondente da BBC em Goma, Mark Doyle, a declaração é obviamente uma "arma de propaganda", mas assustou muitos congoleses que acreditam que Nkunda conta com o apoio da pequena, porém poderosa vizinha, Ruanda.

O enviado da ONU, que se reuniu no sábado com o presidente congolês, Joseph Kabila, disse que o governo não está disposto a dialogar com os rebeldes.

Novos combates
O encontro entre Obasanjo e Nkunda ocorre em meio a relatos de novos combates na área de conflito, no leste do país.

Testemunhas disseram ter visto artilharia pesada e o disparo de foguetes e armas perto do vilarejo de Ndeko, a 90 km ao norte de Goma.

Ainda segundo o correspondente, o fato de os conflitos estarem ocorrendo durante a conversa do enviado da ONU e do líder rebelde não é surpreendente porque ambos os lados querem negociar a partir de uma posição de "força militar".

Na sexta-feira, os governos de Ruanda e do Congo fecharam um acordo de cooperação para combater forças rebeldes que atuam na fronteira dos dois países e são acusadas de causar o genocídio de 1994 em Ruanda.

Em uma coletiva em Kigali, capital da Ruanda, os ministros das Relações Exteriores dos dois países se comprometeram a adotar uma série de medidas que, segundo correspondentes, pode mudar a situação na região.

Ambos concordaram com o envio de agentes de inteligência de Ruanda para o Congo, onde vão trabalhar com o Exército congolês e a comunidade internacional para ajudar a combater a presença da mílicia hutu que atua nas montanhas e florestas da região.

Cerca de 250 mil pessoas abandonaram suas casas no Congo para fugir da violência desencadeada em agosto pelos confrontos entre os rebeldes liderados por Nkunda e forças do governo.

O governo do Congo já prometeu diversas vezes impedir que as forças hutu atuem em seu território, mas ainda não havia tomado medidas efetivas para cumprir a promessa.

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