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Enviado da ONU a Mianmar tentará ampliar ajuda para vítimas de ciclone

O desespero continuava assolando neste domingo os sobreviventes do ciclone Nargis no sudoeste isolado de Minmar, onde o subsecretário de assuntos humanitários da ONU, John Holmes, chegou na noite deste domingo (hora local) tentar ampliar as operações de auxílio internacional ao país.

AFP |

 

Testemunhas procedentes da região do delta do Irrawaddy, a mais afetada pela catástrofe que deixou mais de 133.600 mortos e desaparecidos, segundo o governo, negaram as informações divulgadas pelo regime militar e afirmaram que os generais ainda não distribuíram comida a todos os atingidos.

Um empresário estrangeiro, que chegou da área proibida à imprensa, declarou à AFP ter visto em um local "cerca de cem pessoas sentadas na chuva, sem comida nem água e com muito frio".

O último informe das Nações Unidas sobre a situação no país mostra uma modesta evolução das operações de socorro realizadas até o momento.

O governo de Mianmar e as organizações humanitárias estão "conseguindo chegar a um número crescente" de pessoas, entre os cerca de dois milhões de atingidos, mas "a ajuda que chega ao país está muito abaixo do que se necessita", segundo o documento.

A junta militar, que no sábado autorizou a entrada de 80 especialistas sanitários asiáticos, continua filtrando a assistência internacional e impondo barreiras a distribuição de ajuda por equipes ocidentais.

No domingo, o jornal oficial New Light of Myanmar publicou mais de vinte artigos que exaltavam os esforços e a eficácia das autoridades.

"As operações de socorro puderam ser aceleradas eficazmente graças às medidas tomadas pelo governo", dizia o jornal controlado pelo regime.

Uma especialista britânica, Sue Wardell, que participou no sábado de uma viagem organizada pelas autoridades militares aos diplomatas estrangeiros rumo ao delta do Irrawaddy, disse ter visto um acampamento para os atingidos com abrigos "impecáveis", apesar do chão estar "incrivelmente enlameado".

"O mais interessante dessa viagem é o que não se viu, mas do que vimos", acrescentou Wardell.

No sábado, vários dirigentes ocidentais criticaram a negativa dos generais de Mianmar de aceitar ajuda maciça.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, classificou de "desumano" e "intolerante" a forma com que a junta militar trata a população. Ele também denunciou, na rede BBC, que "um regime que não reage nem autoriza a comunidade internacional a fazer o que deseja".

Brown exigiu que Mianmar - que foi colônia britânica até 1948 - pare de impedir a entrada de ajuda internacional. "O regime de Mianmar terá que prestar contas", advertiu.

O presidente americano, George W. Bush, prorrogou por mais um ano as sanções impostas ao regime de Mianmar em 1997.

Membros da Câmara de Representantes exigiram que Bush interviesse humanitariamente em Mianmar. Em uma mensagem ao Congresso, Bush disse que a manutenção das sanções "não dificultará" a ajuda do povo americano aos afetados pelo Nargis.

Por sua vez, o chanceler francês, Bernard Kouchner, foi mais além, classificando a posição da junta militar como "um crime contra a humanidade".

O embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, disse na sexta-feira que protestou quando o representante de Mianmar criticou Paris por ter enviado um "barco de guerra".

AFP
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Crianças, todas doentes, descansam em monastério
Ripert pediu também uma ação mais energética das Nações Unidas para convencer Mianmar de que deixe entrar maciçamente ajuda internacional.

"Disse que o que está ocorrendo é inaceitável, a ajuda não chega e agora as pessoas estão morrendo não só por causa do ciclone, e sim pela recusa da junta de autorizar auxílio internacional", acrescentou.

"Milhares de vidas se perderam, centenas de milhares ainda poderão ser perdidas", advertiu o diplomata francês.

Ao mesmo tempo, o "Mistral", navio da Marinha francesa, chegou às costas de Mianmar, mas ainda não pôde entregar seu carregamento humanitário, segundo o Estado-Maior do Exército francês.

Ripert protestou na sexta-feira quando o representante de Mianmar na ONU acusou Paris de ter enviado um "barco de guerra".

"Segunda catástrofe"

Com 77.738 mortos e 55.917 desaparecidos, em um total de 57 milhões de habitantes, a comunidade internacional teme uma "segunda catástrofe", e tenta, por meio da mediação dos asiáticos, suavizar a posição do regime.

"Toda a pressão deve ser aplicada, todos os meios diplomáticos devem ser usados para fazê-los entender que devem facilitar nossa ajuda", disse na sexta-feira o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, ao voltar de Yangun.

Entenda mais:

 Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones
 

(*Com informações das agências Reuters, AFP, EFE e da BBC)

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