Enviado da ONU a Mianmar negociará ajuda com Junta Militar

Bangcoc, 18 mai (EFE) - O enviado especial das Nações Unidas John Holmes chegou hoje a Mianmar (antiga Birmânia) para convencer a Junta Militar a permitir a entrada de voluntários internacionais às regiões afetadas pelo ciclone Nargis. Holmes, chefe de assuntos humanitários da ONU, também leva uma carta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para o primeiro-ministro de Mianmar, general Than Shwe. O premiê se recusou a conversar por telefone com Ban Ki-moon, que na segunda-feira disse que a resposta birmanesa ao desastre tinha acontecido com uma lentidão inaceitável. A ONU teme que 2,5 milhões de birmaneses sofram os efeitos do ciclone, que destruiu plantações de arroz e reservas de alimentos no sul do país, além de causar a morte de 78 mil pessoas, enquanto 56 mil foram dadas como desaparecidas. Segundo fontes da ONU, só 10% dos afetados estão recebendo assistência. A organização britânica Save the Children diz que, entre os afetados, há 30 mil menores de cinco anos da região do delta do rio Irrawaddy que poderiam morrer de fome. A visita do diplomata britânico, que chegou a Yangun às 19h30 (9h30 em Brasília), acontece em meio às crescentes críticas dos Governos de todo o mundo à recusa das autoridades birmanesas em permitir a entrada de pessoal estrangeiro - ou pelo menos grande parte dele - no país. Holmes, cujo vôo procedente dos Estados Unidos durou quase 24 horas, iniciará oficialmente sua visita amanhã e deve concluí-la na quarta-fe...

EFE |

A embarcação espera autorização para distribuir alimentos e medicamentos no delta do rio Irrawaddy, uma das regiões mais afetadas pela passagem do "Nargis", no início no mês.

A Junta Militar, no poder há quase 50 anos, quer receber a ajuda que diz que será distribuída posteriormente, enquanto a França quer reparti-la através de seus próprios helicópteros e lanchas aos necessitados.

A atitude das autoridades birmanesas, que denunciam a presença de "navios de guerra" estrangeiros em sua costa, foi chamada de "desumana" pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

O chefe de Governo britânico disse que a Junta Militar deveria ser responsabilizada por sua recusa em socorrer seu próprio povo com rapidez, enquanto a França fala de crime contra a humanidade.

Por outro lado, os vizinhos e sócios de Mianmar na Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) tentarão negociar amanhã com o representante birmanês, o ministro de Assuntos Exteriores, Nyan Win, a assistência humanitária.

A reunião, que acontecerá em Cingapura, contará com a presença dos chanceleres dos dez países que integram a Asean (Mianmar, Brunei, Indonésia, Filipinas, Camboja, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã).

Teme-se que a Asean, que defende a não intervenção nos assuntos internos de seus membros, não pressione a Junta Militar para receber os voluntários estrangeiros, dificuldade que aparentemente não afeta o grupo regional.

A Equipe de Emergência de Avaliação Rápida (ERAT, em inglês) da Asean, formada por especialistas em saneamento, saúde e logística enviados a Yangun, a maior cidade birmanesa, informará à organização regional sobre as necessidades críticas da população.

Embora a Junta Militar ainda se recuse a permitir que estrangeiros entrem nas regiões afetadas pelo ciclone, o regime permitiu no sábado a visita de um grupo de diplomatas ocidentais, que comprovou a magnitude da devastação do delta do Irrawaddy. EFE tai/wr/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG