Enviada da ONU denuncia perigos para menores no Afeganistão

Nações Unidas, 7 jul (EFE) - A enviada especial da ONU para os menores em conflito, Radhika Coomaraswamy, denunciou hoje os crescentes perigos que as crianças afegãs correm após a intensificação do conflito que afeta o país.

EFE |

Coomaraswamy assegurou em entrevista coletiva nas Nações Unidas por ocasião de sua recente viagem ao Afeganistão que há uma preocupação generalizada com a escalada da violência contra o Governo e as forças internacionais que combatem os talibãs.

"O agravamento da situação de segurança no país era a inquietação de todo o mundo em todos os lados, todos estão muito preocupados com a insegurança e a ausência de autoridade que predomina", ressaltou.

Ela disse que se reuniu durante a viagem com o presidente afegão, Hamid Karzai, líderes políticos e religiosos, além de comandantes da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, em inglês), sob controle da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O objetivo da visita era investigar as violações cometidas contra menores pelas partes no conflito, entre as quais estão os mortos e feridos deixados pelos combates.

Coomaraswamy afirmou que, durante sua visita, recebeu denúncias de um aumento no recrutamento de menores por parte dos talibãs que combatem o Governo de Cabul, particularmente no Paquistão, apesar da regra interna do grupo islâmico de "não levar à batalha homens sem barba".

Algumas destas crianças se transformam em acompanhantes dos comandantes, que os submetem a abusos sexuais, disse.

"Estas coisas são tão horríveis tanto quando acontecem com as mulheres e as meninas quanto quando ocorrem com meninos", disse.

Os talibãs inclusive estão utilizando menores como terroristas suicidas, como confirmaram três deles que fracassaram em sua missão e foram capturados, ressaltou.

Coomaraswamy disse que, em suas reuniões com os comandantes militares internacionais, conversou sobre o alto número de baixas civis que são atribuídas às operações das forças da Otan e sobre as medidas adotadas para evitá-las.

"De todas as formas, devo dizer que mesmo os líderes religiosos favoráveis ao Governo se queixaram amargamente deste tipo de efeitos colaterais", assegurou.

Ela considerou que as forças internacionais têm que "encarar muito seriamente estas queixas, investigá-las e pagar compensações quando for necessário".

Coomaraswamy assinalou que, em sua viagem, deixou instalado um mecanismo de supervisão e coleta de informação para acompanhar de perto a situação dos menores afetados pelo conflito. EFE jju/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG