A população da América Latina envelhece mais rápido que o previsto e a expectativa é a que nos próximos 40 anos o número de pessoas acima dos 60 anos de idade represente quase um quarto do total de habitantes da região, segundo um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgado nesta quinta-feira em Santo Domingo.

"O processo de envelhecimento será mais acelerado do que no passado e o número de pessoas mais velhas superará todas as expectativas", ressaltou o documento "Transformações demográficas e sua influência no desenvolvimento na América Latina e no Caribe", preparado pela Cepal.

Entre 1950 e 2000 a população acima de 60 anos aumentou de 5,5% para 8,8% e até 2050 representará 23,6% da população regional. Em termos absolutos, as pessoas de mais de 60 anos passarão em um século de 9 milhõe para 180 milhões.

Em contraste, entre 2005 e 2050 o número de jovens diminuirá 17%. Para esse ano, se espera que a população adulta supere em 30% a jovem. Em 2005, a população total da América Latina era de 547 milhões, enquanto que em 2050 deverá chegar aos 763 milhões.

"O envelhecimento da população é o principal fenômeno demográfico desta época na região", disse o secretário executivo da Cepal, José Luis Machinea, ao comentar o documento sobre a população divulgado como parte do trigésimo segundo Período de Sessões do organismo das Nações Unidas, que será realizado esta semana em Santo Domingo.

"É importante refletir e incluir a perspectiva demográfica no planejamento do desenvolvimento e das políticas públicas", recomendou Machinea.

A Cepal considera que os principais fatores associados ao envelhecimento da população latino-americana são a diminuição da taxa de natalidade ao lado de uma expectativa de vida mais elevada.

A região tem atualmente uma taxa de natalidade de 2,4 filhos por mulher, menos da metade desse indicador em 1955, que era de 5,9 filhos.

Do ponto de vista do prolongamento da vida, nos últimos 60 anos a população da América Latina ganhou 21,6 anos em média, o que significa que a expectativa de vida passou de 51,8 anos em 1955 para 73,4 anos para ambos os sexos entre 2005-2010.

"É uma média de oito anos a mais do que o total das regiões em desenvolvimento, e apenas 1,2 ano a menos que o da Europa", explicou Marcela Suazo, diretora da Divisão para a América Latina e o Caribe dos Fundos de População das Nações Unidas.

O processo de envelhecimento é irreversível, de acordo com a Cepal, que inclusive prevê que nas próximas décadas o número de pessoas acima de 60 anos poderá aumentar ainda mais graças às melhorias sanitárias. No entanto, o organismo não acredita que o atual processo de queda da natalidade possa ser revertido.

Cuba é atualmente o país com a população mais velha da região e também o será em 2050 e em 2100, quando haverá quatro idosos para cada criança, de acordo com as estimativas da Cepal.

O envelhecimento contínuo da população representa uma profunda transformação das estruturas das famílias e um custo adicional para os Estados. Conseqüentemente, aumentará a pressão sobre a previdência privada e o sistema de saúde.

O problema se agrava porque em geral na América Latina a cobertura social é reduzida, e apenas cerca de 50% da população recebia aposentadorias em 2005.

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