Entusiasmo é a marca de umas históricas eleições americanas

Orlando Lizama. Washington, 4 nov (EFE).- Os americanos se amontoaram hoje em frente aos postos de votação em eleições que, independente do resultado, já são históricas, mas que poderiam ser ainda mais se o candidato democrata, Barack Obama, se consagrar como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

EFE |

Essas eleições já são notícia por terem alcançado níveis de participação que, diante da falta de números oficiais, parecem ter registrado recordes em todo o país, julgando pelas grandes filas que se formaram em todas as partes durante a jornada eleitoral.

Do estado do Maine, no extremo nordeste do país, até a Califórnia, no sudoeste, os americanos acordaram cedo para depositar o voto que escolherá o sucessor do presidente George W. Bush, toda a Câmara de Representantes, um terço do Senado e 11 governadores.

"Nunca achamos que seriam tantas pessoas. Tudo funcionou bem até agora, estamos tentando acelerar o processo", disse à Agência Efe, Susan Lyon, funcionária das eleições do condado de Fairfax, na Virgínia.

Esse estado, vizinho a Washington, capital do país, é considerado determinante nestas eleições, onde a direita republicana corre o risco de perder seu domínio diante da maré democrata.

Lyon falou com a Efe quando só tinham passado duas horas desde a abertura dos colégios eleitorais do estado, e calculou que, naquele momento, já tinham votado mais de 30% dos eleitores em sua circunscrição.

Até quando foram denunciadas algumas irregularidades em estados como Nova York e Nova Jersey, estas foram mínimas e a votação se desenvolvia sem tropeços até o final.

"Tínhamos nos preparado para esperar algumas horas na fila, mas foram só alguns minutos e o processo foi muito fácil. As filas eram de alguns poucos metros", disse Marty López, que deu seu voto a Obama, porque, com "John McCain (o candidato republicano), não queremos mais oito anos de George W. Bush", disse.

"O que nos convenceu é a idéia da mudança e um possível fim da Guerra do Iraque", disse López, que votou pela primeira vez nos Estados Unidos.

Essa convicção poderia se tornar realidade caso se confirmem as pesquisas que apontavam o senador por Illinois uma vantagem de 9 a 12 pontos percentuais sobre o adversário republicano.

Mas nem Obama, nem seu companheiro de chapa, o senador Joseph Biden, tinham dado por certa a vitória e, até em pleno processo eleitoral, se reuniram informalmente com eleitores em Indiana e na Virgínia.

Essa estratégia era a mesma de McCain, senador pelo Arizona, que participava hoje de comícios nos estados do Novo México e Colorado.

"Vamos trabalhar duro até que fechem as urnas", disse McCain.

O interesse gerado pela disputa era clara no estado de Ohio, que em 2004 deu a vitória a Bush e onde os eleitores mais adiantados começaram a fazer fila horas antes da abertura dos colégios eleitorais.

As projeções indicam que, em Ohio, a participação poderia superar os 80%, um nível incomum em um país onde o voto não é obrigatório.

A vitória parecia ser mais certa para Obama na Califórnia, um reduto tradicionalmente democrata, que também decidirá sobre uma proposta para definir o casamento exclusivamente como a união entre um homem e uma mulher.

Os dados mais recentes indicam que 49% dos eleitores escolheram o "não" - ou seja, apóiam que a Constituição continue como está, permitindo o casamento homossexual -, 44% optaram pelo "sim" - querem uma mudança para proibir esses casamentos - e 7% continuam indecisos.

A vitória democrata era mais certa ainda no estado de Illinois, onde mais de 1 milhão de simpatizantes deve se reunir esta noite no Grant Park, em uma grande comemoração.

Os organizadores da campanha, que durante 20 meses programaram as atividades de Obama nos mínimos detalhes, levaram em conta o simbolismo contido no parque.

O lugar é cercado por ruas com nomes que lembram muitos presidentes deste país: (George) Washington, (James) Madison, Andrew (Andrew) Jackson, (Martin) Van Buren, (Dwight D.) Eisenhower e (Franklin) Roosevelt.

Mas, principalmente, o nome do parque lembra Ulysses Grant, o 18º presidente do país e o general que cimentou a vitória da União durante a guerra civil americana que levou à emancipação dos negros nos Estados Unidos. EFE ojl/an

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