Kirill, patriarca de Moscou e de todas as Rússias, foi entronizado neste domingo na catedral do Cristo Salvador, assumindo a liderança de uma Igreja ortodoxa em forte crescimento desde a queda da União Soviética. Estiveram presentes o presidente, Dmitri Medvedev, e o primeiro-ministro, Vladimir Putin.

"Axios, axios, axios" ("ele é digno", em grego), exclamaram os 4.000 convidados - dignitários ortodoxos, representantes de outras religiões, líderes políticos e simples fiéis - dentro da imponente catedral, no coração de Moscou.

Naquele exato momento, Kirill, eleito terça-feira por um concílio, se tornou oficialmente o chefe da Igreja ortodoxa russa.

Poucos minutos antes, os metropolitas de Kiev e de Minsk tinham feito Kirill sentar três vezes no trono, conforme o ritual.

No fim da cerimônia, o patriarca recebeu o cetro de madeira incrustado de ouro do metropolita Piotr, que data do século XIV e é uma das relíquias mais preciosas da Igreja ortodoxa russa. O cetro simboliza o poder espiritual, e é normalmente exposto nos museus do Kremlin.

Em discurso pronunciado no fim da cerimônia, o presidente Medvedev defendeu a instauração de um diálogo "intenso e solidário" com o novo líder da Igreja ortodoxa russa. A esposa do presidente, Sveltana, foi a primeira pessoa a receber a comunhão do patriarca.

Segundo os observadores, Kirill, filho e neto de padres, quer ver a ortodoxia desempenhar um papel mais importante na vida política e social.

Desde a queda do comunismo, a Igreja ortodoxa está crescendo em ritmo acelerado na Rússia, onde preencheu o vazio deixado pelo desabamento da ideologia soviética.

Hoje, 75% da população russa se diz ortodoxa, contra apenas 25% antes da queda da União Soviética.

Kirill, 62 anos, é considerado aberto para o mundo. Segundo os especialistas, ele pode modernizar a comunicação da Igreja na Rússia, mas mantendo um certo tradicionalismo sobre as questões de fundo.

Como "chanceler" do patriarca Alexis II, morto em dezembro, Kirill se encontrou três vezes com o Papa Bento XVI.

Kirill sucede no cargo a Alexei II, falecido em 5 de dezembro passado, anunciou o concílio eclesiástico.

Antes de ser escolhido para ser o novo líder da Igreja Ortodoxa, Kirill fez uma apaixonada defesa da união de seus fiéis, apelando para que resistam ao proselitismo católico e protestante.

O Metropolitano Kirill, que nos últimos 10 anos manteve seu próprio programa semanal na televisão - chamado "Palavras de um pastor" -, é visto como uma verdadeira metralhadora nos círculos políticos da Rússia.

"Entre os bispos, ele é o único político de verdade. Se eu fosse o presidente, teria medo deste homem", estimou o especialista em assuntos religiosos Sergei Filatov, da Academia Russa de Ciências, referindo-se a Kirill.

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