ENTREVISTA-Voto na Irlanda expõe derrotismo da UE, diz Mandelson

Por Conor Sweeney MOSCOU (Reuters) - O fato de os irlandeses terem, nas urnas, rejeitado o Tratado de Lisboa, elaborado para reformar a União Européia (UE), mostra que o bloco precisa partir para a ofensiva e defender suas propostas de forma mais enérgica, afirmou o comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson.

Reuters |

Os eleitores irlandeses rejeitaram o tratado --que deveria alterar as estruturas de tomada de decisão da UE-- em um referendo ocorrido na semana passada.

'Acho que, na Europa, na Comissão Européia (Poder Executivo do bloco), entre os países-membros, ficamos demais na defensiva. Somos um pouco derrotistas', disse Mandelson em uma entrevista à Reuters na noite de quarta-feira.

'Na nossa cabeça, ao que parece, se as pessoas fazem perguntas sobre a Europa, isso significa que são hostis. Mas talvez essas pessoas estejam fazendo perguntas.'

Mandelson deu essas declarações antes do início, na quinta-feira, de uma cúpula da UE que deve discutir principalmente o resultado da votação na Irlanda.

Como todos os países-membros do bloco precisam ratificar o tratado para que ele entre em vigor, a rejeição por parte dos irlandeses coloca em dúvida o futuro do projeto.

Observando ter experiência como membro da campanha eleitoral do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, Mandelson afirmou que, se os argumentos da oposição não são rebatidos imediatamente, o que não aconteceu na Irlanda, a batalha política torna-se mais difícil.

'Costumávamos agir sob a máxima de que a velocidade mata.

Se não rebatemos rapidamente, prontamente as coisas ditas a nosso respeito e que são mentirosas, então essas coisas vão grudar na cabeça das pessoas e provocar prejuízos, fortalecendo a oposição', disse Mandelson em Moscou, antes de conversar com membros do governo russo.

O atual comissário, ex-ministro da Grã-Bretanha, rebateu as críticas lançadas contra ele pelo lobby de produtores agrícolas da Irlanda devido às táticas usadas nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo Mandelson, outros críticos do Tratado de Lisboa já haviam feito 'declarações completamente falaciosas' a respeito do projeto, declarações sobre o aborto, o alistamento militar e a neutralidade que não foram rebatidas.

O comissário disse que, durante o debate, um 'incrível número de boatos baseados nos preconceitos e temores das pessoas havia contribuído para a vitória do 'não' na Irlanda'.

Mandelson acrescentou: 'Todos esses temores deveriam ter sido respondidos. Todas essas representações falsas deveriam ter sido corrigidas. Francamente, as inverdades divulgadas por alguns dos propagandistas deveriam ter sido rebatidas logo no início daquela campanha.'

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG