ENTREVISTA-Veto a exportação onera ajuda humanitária, diz WFP

Por Cynthia Johnston SHARM EL-SHEIKH, Egito (Reuters) - O veto à exportação adotado por países atingidos pela alta do preço dos alimentos prejudica os esforços para distribuir comida a algumas das pessoas mais necessitadas do mundo, afirmou a chefe do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

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A diretora-executiva do WFP, Josette Sheeran, pediu aos países que isentem as agências humanitárias das restrições ou das taxas de exportação a fim de que nações com grandes estoques de comida possam ajudar a alimentar os famintos do mundo todo.

'Enquanto os países enfrentam a crise dos alimentos, um número cada vez maior deles está fechando seus mercados exportadores. E está ficando cada vez mais difícil comprar', disse Sheeran na terça-feira à noite, no Egito, enquanto se realizava uma cúpula da União Africana (UA).

'Estamos fazendo um apelo a todos os governos para que isentem as agências humanitárias dos vetos à exportação e das tarifas extraordinárias', afirmou.

Especialistas afirmam que safras ruins, o alto preço dos combustíveis e uma demanda cada vez maior (em especial de países asiáticos com grandes índices de crescimento) somaram-se para fazer com que 1 bilhão de pessoas no mundo todo corram o risco de passar fome.

Alguns países restringiram a exportação de produtos alimentícios a fim de conter os preços internamente.

O principal diplomata da África, Jean Ping, disse na sexta-feira que as nações africanas precisavam unir-se para reduzir o impacto da alta dos preços dos alimentos, fenômeno que atingiu os moradores dessa região de forma mais dura do que os do restante do planeta.

'Estamos procurando em todos os lugares, mas, para nós, não importa saber se os restaurantes terão estoque, e sim se as pessoas mais vulneráveis receberão a comida de que tão urgentemente carecem', disse.

Meios de comunicação japoneses afirmaram que um comunicado a ser divulgado pelo Grupo dos Oito (G8), neste mês, a respeito da crise dos alimentos chamará atenção para a importância de não haver abusos no recurso à suspensão das exportações.

Segundo Sheeran, 80 por cento dos fundos do WFP eram gastos agora na compra de comida no mundo em desenvolvimento para alimentar os que passam fome nos países pobres. A chefe do órgão afirmou considerar essa 'uma revolução muito positiva na área da ajuda alimentar'.

No entanto, o WFP se vê obrigado agora a procurar alimentos globalmente em vez de recorrer a estoques presentes na mesma região onde a comida seria distribuída, o que significa um encarecimento do frete.

'Eu tenho comida em Burkina Fasso que não consigo exportar e que seria preciso enviar para Níger. Ou seja, nossas compras são úteis para as economias locais, mas, se esses países acreditam enfrentar uma baixa nos estoques, então impõem limitações', afirmou.

Segundo Sheeran, cerca de 20 países que descreveu como 'mercados críticos' para o WFP haviam colocado limites a exportações, ao menos para certos itens. Outros aumentaram os impostos.

'Não queremos comprar de países que não possuem uma quantidade suficiente de comida para alimentar sua própria população', disse. 'De forma que procuramos realmente encontrar os locais onde há superávit.'

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