ENTREVISTA-UE deve se unir sobre Guantánamo, diz comissário

Por Ingrid Melander BRUXELAS (Reuters) - Os países da União Europeia devem colaborar na recepção aos presos de Guantánamo, a fim de garantir a segurança numa Europa sem fronteiras, disse na terça-feira o comissário de Justiça do bloco, Jacques Barrot.

Reuters |

Na segunda-feira, os chanceleres da UE discordaram sobre a ajuda conjunta a ser prestada ao novo governo dos EUA para desativar a prisão militar de Guantánamo. A decisão foi de que cada país deve decidir por conta própria se recebe ou não os presos que não têm para onde serem mandados.

"A ordem pública e (o tratado de) Schengen exigem que haja uma coordenação. Não podemos nos agir sem ela", disse Barrot à Reuters, qualificando de "ridícula" a relutância de alguns países em colaborar na questão.

O chamado "espaço Schengen," dentro do qual não há controle de passaportes, abrange atualmente 25 países, sendo a maioria dos participantes da UE, mais Suíça, Noruega e Islândia.

Barrot elogiou o presidente Barack Obama por mandar fechar a prisão de Guantánamo, considerada mundialmente como um símbolo das violações aos direitos humanos ocorridas durante a "guerra ao terrorismo" no governo de George W. Bush.

O governo Bush nunca conseguiu convencer seus aliados, especialmente os 27 países da UE, a receberem presos que os EUA não desejavam manter consigo, mas que tampouco poderiam ser devolvidos a seus países de origem, onde poderiam sofrer perseguições.

Os governos europeus esperam que o novo governo norte-americano renove essa solicitação, mas Barrot disse que se trata de uma questão complicada, que exige um cuidadoso exame quanto às implicações para a segurança, além de muitas explicações à opinião pública.

"O principal problema, muito prático, é: se recebermos essas pessoas, as prendemos ou as libertamos? Se mantivermos na prisão pessoas que são obviamente inocentes, rapidamente seremos acusados de prolongar Guantánamo; mas, pelo contrário, se as libertarmos, as pessoas vão dizer: 'E a nossa segurança, não está em risco?'."

Na opinião dele, os ministros de Interior precisarão ser muito claros a respeito das condições em que receberão os presos, e por que alguns presos terão um destino diferente de outros.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG