ENTREVISTA-Tremor no Haiti dá chance para mais proteção infantil

Por Katherine Baldwin LONDRES (Reuters) - O terremoto no Haiti proporciona uma oportunidade para melhorar a proteção à criança num país onde elas têm sido rotineiramente abandonadas, alvo de tráfico e exploradas, disse na terça-feira Susan Bissell, diretora de proteção à criança do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

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Bissell afirmou que a atenção e o financiamento maiores para o Haiti poderiam ajudar a transformar um cenário problemático para as crianças no país empobrecido.

Ela apontou o tsunami de 2004 na província de Aceh, na Indonésia, como evidência de que uma emergência pode ser usada como plataforma para um sistema melhor de proteção à criança.

"Temos visto sistemas fortalecidos em países onde eram precários antes", disse Bissell numa entrevista. "Acho que isso é possível (no Haiti)."

No Haiti, 50 mil crianças recebiam cuidado institucional - por exemplo, em centros para bebês abandonados ou orfanatos - antes do terremoto, de acordo com o governo.

Alguns centros tinham padrões questionáveis e todo o setor não era monitorado, informa o Unicef. Muitas crianças nesses centros tinham famílias que as visitavam, mas haviam desistido de ficar com elas na esperança que tivesse uma vida melhor.

Antes do terremoto, o Unicef, num trabalho com parceiros e o governo local, já havia implantado sistemas para melhor a segurança infantil.

Eles estabeleceram uma rede de voluntários com base nas comunidades, e dentro da polícia nacional haitiana foram formadas brigadas de proteção à criança.

Essas iniciativas agora têm de ser reforçadas, afirmou Bissell.

"Precisamos de pessoas, de assistentes sociais, pessoas que possam dar apoio psicossocial, precisamos de mobilizadores comunitários que consigam colocar as crianças nas escolas, precisamos quadruplicar o número de policiais treinados em proteção infantil", afirmou.

"Precisamos intensificar tudo isso e isso demanda interesse e apoio financeiro sustentados."

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