ENTREVISTA-Transparência é chave para petróleo menos volátil-AIE

Por Daniel Flynn LAQUILA, Itália (Reuters) - Mais informação sobre os fundos de hedge e maior transparência sobre quem está negociando no mercado futuro de commodities são medidas essenciais para a meta do G8 de reduzir a volatilidade no preço do petróleo, disse o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Nobuo Tanaka.

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Tanaka também prevê "uma retomada muito forte" na demanda por petróleo em 2010, quando se reiniciar o crescimento econômico mundial, depois da queda deste ano. Está previsto para sexta-feira a divulgação da previsão detalhada da AIE para o próximo ano.

Em um comunicado na quarta-feira, as nações ricas que formam o Grupo dos Oito pediram que as instituições internacionais, incluindo a AIE, reduzam a excessiva volatilidade nos preços do petróleo. O preço futuro do produto atingiu o nível recorde de 147 dólares o barril no ano passado e meses depois desabou para 40 dólares por causa da crise financeira internacional.

"A transparência nos mercados futuros é certamente questão importante. Quem está negociando, é um negócio comercial ou não comercial? Precisamos de mais transparência", afirmou Tanaka à Reuters, em uma entrevista durante a cúpula conjunta do G8 com um grupo de economias emergentes, na Itália.

"Mas ainda achamos que os fundamentos (do mercado) são mais importantes para determinar a direção do preço do petróleo: a especulação está amplificando o movimento dos preços para cima ou para baixo, mas não necessariamente determina o preço do petróleo", disse Tanaka.

Ele preveniu que os mercados de petróleo podem ficar "seriamente apertados" por volta de 2014-2015, a menos que haja aumento de produção e dos investimentos para exploração. Tanaka comparou o cenário ao do mercado do ano passado, quando os preços do petróleo atingiram o pico de 147 dólares o barril.

SEM FIXAÇÃO DE PREÇOS

O diretor da AIE disse que a necessidade de informações precisas sobre o mercado petrolífero é um outro grande fator para a melhoria da transparência nos mercados.

"Não temos boas informações, especialmente nas economias emergentes, por isso não podemos definir o que está acontecendo. Eles estão comprando mais petróleo para aumentar os estoques ou tudo é para consumo?", questionou.

"Obter essa informação é importante para fazer avaliações sobre projeções para o futuro."

O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse na quarta-feira que uma regulação real de preços seria impossível, mas que o valor de 70 a 80 dólares o barril seria uma boa média.

O porta-voz canadense Dimitri Soudas acrescentou. "Não se pode controlar os preços do petróleo se não se controla suprimento e demanda. Portanto, a fixação de preços do petróleo é algo impraticável."

As nações do G8 concordaram na quarta-feira em tentar limitar o aquecimento global a 2 graus centígrados em relação aos níveis anteriores à Revolução Industrial e cortar as emissões de gases do efeito estufa em 80 por cento, mas não conseguiram convencer a China e a Índia a apoiarem uma proposta de redução pela metade das emissões mundiais até 2050.

A AIE, agência que integra a Organização para cooperação e Desenvolvimento Econômico, informou nesta quinta-feira que o investimento em eficiência energética e tecnologia limpa precisaria aumentar quatro vezes para que a elevação da temperatura seja menor que 2 graus centígrados.

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