Por Georgina Prodhan FRANKFURT (Reuters) - A reforma da União Soviética e do Partido Comunista deveriam ter começado antes, disse na quinta-feira à Reuters o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev na Feira do Livro de Frankfurt.

Ele disse que acertou em promover reformas que trouxeram mais liberdade e democracia, mas que se pudesse voltar no tempo faria várias coisas diferentes.

"Esperamos, adiamos demais a reforma do partido e nos aferramos à União Soviética. A união deveria ter sido reformada antes", disse ele, depois de apresentar suas obras selecionadas na maior feira literária mundial.

Gorbachev assumiu o poder em 1985 e logo apresentou o mundo às palavras "Perestroika" (reforma) e "Glasnost" ("abertura"). Renunciou no final de 1991, depois de resistir a um golpe reacionário que o deixou consideravelmente enfraquecido.

Ele tentou preservar a União Soviética de alguma forma, mas as repúblicas que a formavam declararam independência sucessivamente, e o país foi oficialmente dissolvido no dia da sua renúncia.

Na quinta-feira, respondendo a uma platéia na feira do livro, Gorbachev elogiou os presidentes norte-americanos Ronald Reagan e George H. Bush, que junto com Gorbachev assumiram as primeiras iniciativas de desarmamento, que culminariam no fim da Guerra Fria.

"É incrível, quando me falaram pela primeira vez do presidente Reagan, ele era um homem da extrema direita do Partido Republicano. No final, deixou o cargo de presidente como um promotor da paz."

"George Bush foi talvez o melhor parceiro de todos: sábio, bem-informado, cuidadoso", comentou o russo.

Quanto a Boris Yeltsin, que se projetou na época do golpe de 1991 e foi o primeiro líder da Rússia pós-soviética, Gorbachev é menos entusiasmado.

"Não quero falar mal dos mortos, mas não tenho qualquer razão para falar bem dele", afirmou à Reuters. "Eu sabia que ele tinha um caráter ingovernável. Ele queria ser o herói a qualquer preço."

Ainda muito impopular na Rússia e bem-visto no Ocidente, Gorbachev disse que "tem gente que me acha um semideus, e outros acham que sou um traidor".

"Não há reformistas felizes, mas tenho de me considerar sortudo por ter tido a chance de fazer diferença", completou.

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