Por Alister Doyle OSLO (Reuters) - As grandes potências devem estabelecer metas claras e ambiciosas para os cortes nas emissões de gases-estufa até 2050 nesta semana, como um passo em direção ao novo pacto climático da Organização das Nações Unidas (ONU), disse na segunda-feira a principal autoridade para mudança climática da ONU.

"Esses são os países que podem fazer a diferença... Certamente é o momento de fazer a diferença", afirmou à Reuters Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, comentando um encontro de 17 países e grandes emissores durante a cúpula do Grupo dos Oito, que ocorre entre 8 e 10 de julho.

Ele disse que o "Fórum das Maiores Economias (MEF, na sigla em inglês)", que inclui China, Índia e Brasil, além dos países do G8, têm a "responsabilidade moral" de mostrar liderança na discussão de um tratado da ONU sobre o clima que deve ser aprovado em Copenhague em dezembro.

Os países do MEF, responsáveis por 80 por cento das emissões mundiais de gases-estufa (em boa parte causada pela queima de combustíveis fósseis), vão analisar uma meta de corte nas emissões mundiais de gases-estufa em 50 por cento até 2050, de acordo com um texto preliminar.

"O parâmetro (de sucesso) para mim é uma meta clara -- e não confusa -- e de longo prazo", disse de Boer.

No ano passado, o G8 estabeleceu a "perspectiva" de cortar pela metade as emissões até 2050, sem determinar um ano base. Os principais países em desenvolvimento não se comprometeram com uma meta para 2050, argumentando que primeiro os ricos deveriam estabelecer cortes maiores em suas próprias emissões até 2020.

Um projeto recente do MEF acrescentou a palavra "desejável" para metas de 2050 após a insistência dos EUA, de acordo com Tobias Muencheyer, do grupo ambientalista Greenpeace. O documento também omite o ano base.

Entre outros parâmetros, de Boer disse que é "importante que os países industrializados do MEF estabeleçam metas nacionais ambiciosas para 2020".

Ele também pediu que os países desenvolvidos elaborem planos de ajuda financeira no curto prazo aos países em desenvolvimento, para que estes possam combater o aumento nas enchentes, ondas de calor, tempestades e a elevação no nível dos oceanos.

De Boer também disse que há diversos modos de formular uma meta de longo prazo para combater a mudança climática.

A União Europeia, por exemplo, quer limitar o aumento na temperatura global para no máximo 2 graus Celsius acima da era pré-industrial. No último século, as temperaturas subiram cerca de 0,7 grau Celsius.

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