LONDRES (Reuters) - Os Estados Unidos e a República Dominicana poderiam ajudar na recuperação do Haiti empregando cidadãos do país para postos de trabalho temporários, disse um dirigente da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira. Mais do que apoio imediato (...) na forma de dinheiro e alguma capacidade técnica, a maior questão é realmente encontrar algum negócio de longo prazo ou solução de emprego, afirmou Salil Shetty, diretor da Campanha do Milênio da ONU, que pretende erradicar a miséria mundial até 2015.

Ele citou o exemplo de um sistema da Nova Zelândia que facilita a contratação no exterior para vagas temporárias de alguns setores.

"Não há razão pela qual o sudeste dos Estados Unidos ou mesmo a República Dominicana não possam fazer esse tipo de sistema de modo estruturado e legalizado, porque há uma escassez de trabalho (no Haiti)", disse ele à Reuters por telefone.

Mesmo antes do terremoto de 12 de janeiro, que matou mais de 200 mil pessoas, o Haiti já dependia fortemente do dinheiro enviado por emigrantes. Em 2008, foram 1,9 bilhão de dólares, ou 16 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O governo norte-americano já decidiu permitir que até 200 mil haitianos que estavam nos EUA quando do terremoto fiquem no país trabalhando por até 18 meses, em uma forma de ajuda econômica indireta à nação caribenha.

Shetty disse que a comunidade internacional deveria ajudar a República Dominicana a absorver mais trabalhadores haitianos. Estima-se que um milhão de haitianos, a maioria de clandestinos, trabalhem no país vizinho.

"A República Dominicana já tem oportunidades econômicas melhores e tem capacidade para ampliar as oportunidades econômicas."

(Reportagem de Olesya Dmitracova)

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