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ENTREVISTA-Novo líder italiano terá poucas opções, diz Moody s

MILÃO (Reuters) - As fragilidades da economia italiana limitarão o espaço de manobra para a adoção de novas políticas pelo próximo dirigente do país, conforme indicam as semelhanças nos programas de governo dos atuais candidatos, afirmou na sexta-feira um analista de crédito do Moodys Investors Service. Os italianos vão às urnas no domingo e na segunda-feira a fim de eleger um governo para enfrentar a desagradável combinação de acentuada desaceleração do crescimento e índices recordes de inflação em um país onde os salários contam-se entre os mais baixos da Europa.

Reuters |

Alexander Kockerbeck disse que as metas estipuladas pelos dois principais candidatos em seus programas de governo apontam para a direção correta, mas observou que o fundamental seria a capacidade da próxima administração em atingir esses alvos.

'Se o resultado (da votação) não for claro, há o risco de ocorrerem atrasos na implantação das reformas necessárias', afirmou Kockerbeck à Reuters em uma entrevista concedida por telefone.

Diante de taxas de produtividade estagnadas, a Itália registrou na última década, pelo menos, um desempenho econômico pior do que seus parceiros europeus.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu sua previsão de crescimento para o país nesta semana, estipulando a cifra em 0,3 por cento para 2008.

Silvio Berlusconi, o político conservador que tenta eleger-se primeiro-ministro pela terceira vez, tem aparecido sempre à frente de seu adversário da centro-esquerda, Walter Veltroni, nas pesquisas de intenção de voto. Mas até um terço dos 47 milhões de italianos aptos a votar deve fazer sua escolha no último minuto.

O atual governo italiano, de centro-esquerda, comandou o país com uma frágil bancada majoritária no Senado, de apenas duas cadeiras de folga. E, como o sistema eleitoral continua a ser o mesmo, há um risco de que a câmara alta do Parlamento volte a ter uma composição instável.

'Pode-se imaginar uma cooperação (entre os dois maiores partidos) já que seus objetivos são bastante parecidos', disse Kockerbeck, citando o exemplo da Grande Coalizão selada na Alemanha.

Porém, tanto Veltroni quanto Berlusconi negaram repetidamente a possibilidade de selarem uma coalizão depois das eleições.

De toda forma, jornais italianos especularam a respeito das chances de isso ocorrer já que os dois candidatos realizaram, de forma surpreendente, campanhas bastante comedidas.

Ambos os partidos prometeram cortar o déficit público do país, diminuir os impostos e levar adiante o processo de abertura do setor de serviços à iniciativa privada.

'Eu analisei os dois programas de governo e eles parecem confirmar que as margens de manobra são limitadas', acrescentou Kockerbeck.

(Reportagem de Valentina Za)

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