ENTREVISTA-Novo acordo climático exige ímpeto, diz negociador

Por Alister Doyle GENEBRA (Reuters) - As negociações sobre o futuro acordo climático global estão atoladas como se estivessem andando em areia molhada, mas uma cúpula neste mês em Nova York, nos EUA, pode dar o ímpeto necessário para um acordo até dezembro, disse nesta quarta-feira o chefe de um importante grupo de negociação das Nações Unidas (ONU).

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Michael Zammit Cutajar, que preside um grupo de 190 países que prepara o tratado a ser aprovado em 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca, disse que o texto-base ainda está grande demais -- além de 200 páginas --, apesar dos esforços para reduzi-lo em uma reunião da ONU em meados de agosto.

"Acho que estamos andando na areia molhada. Há muito texto", disse Zammit Cutajar à Reuters em Genebra, onde participa da Conferência Climática Mundial, uma outra iniciativa da ONU destinada a melhorar a informação global sobre o clima.

Para efeito de comparação, ele lembrou que em outubro de 1997, dois meses antes da aprovação do Protocolo de Kyoto, o texto-base tinha cerca de 30 páginas. "Isso é algo com que o cérebro das pessoas consegue lidar. Com 200 páginas ninguém vai ler o negócio inteiro."

"Estamos em uma negociação muito mais difícil do que a de Kyoto", disse ele, acrescentando que o acordo de Copenhague "não pode ser só uma declaração política." O texto esboça ideias para a redução das emissões globais de carbono, que variam de impostos sobre a aviação até investimentos em florestas.

Mas ele ainda vê chances para uma mudança de marcha, especialmente na cúpula do próximo dia 22 em Nova York para tratar do aquecimento global.

"A cúpula de Nova York (...) pode fazer os chefões políticos dizerem a esses caras (os negociadores) para começarem a se mexer", afirmou.

Além da cúpula de Nova York, haverá outras reuniões para tratar do clima, como o encontro do G20 (grupo de países desenvolvidos e emergentes) nos dias 24 e 25 em Pittsburgh.

O tratado propriamente dito será discutido previamente em reuniões em Bangcoc (28 de setembro a 9 de outubro) e Barcelona (2 a 6 de novembro). A conferência ministerial de Copenhague está marcada para 7 a 18 de dezembro.

O grupo chefiado por Zammit Cutajar busca maneiras de ampliar a luta contra a mudança climática para além do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e exige reduções nas emissões de gases do efeito estufa apenas dos países desenvolvidos.

O novo tratado deve estabelecer regras também para países em desenvolvimento, mas países como China e Índia querem que os ricos prometam reduções maiores e ajudem a financiar as ações climáticas das nações pobres, alegando que não podem abrir mão do combate à pobreza.

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