Por Pav Jordan SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - Um dos principais dirigentes oposicionistas do movimento autonomista de Santa Cruz acusou nesta sexta-feira o presidente Evo Morales de agir como um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez.

Branko Marinkovic, um rico empresário que é um dos organizadores do referendo autonomista do próximo domingo em Santa Cruz, a região mais próspera do país, disse que Morales está governando a Bolívia com base em modelos comunistas ultrapassados, como o de Cuba.

A população de Santa Cruz irá às urnas dizer se é favorável a uma maior autonomia regional em questões como impostos, Justiça, polícia e controle dos recursos naturais. O governo e a Justiça consideram o referendo ilegal.

'Infelizmente, há interferências demais', disse Marinkovic à Reuters. 'É preocupante para os bolivianos que Chávez seja que tem de tomar as nossas decisões.'

A autonomia deve ser aprovada nas urnas, já que os simpatizantes do governo prometem boicotá-lo. Se o comparecimento for de menos de metade do eleitorado, sua legitimidade ficará esvaziada.

A votação pode agravar as seculares divisões entre a planície oriental, mais rica, e o Altiplano andino, onde há uma maior população indígena.

Três outras regiões do leste boliviano também pretendem realizar referendo semelhantes. Tradicionalmente, os Departamentos (Estados) têm pouquíssima autonomia.

'Morales precisa perceber que estamos falando sobre dois terços do país aqui, uma maioria do país que deseja a autonomia', disse ele em seu bem-montado escritório no centro de Santa Cruz de la Sierra.

'O presidente Morales precisa entender que ele é o presidente de todos os bolivianos, e que não deve ser Chávez, (o norte-americano George W.) Bush ou Fidel (Castro, ex-líder cubano) quem resolve os problemas da Bolívia', afirmou.

Morales é o primeiro indígena a governar o país, dando ênfase aos direitos dos povos tradicionais. Seu governo nacionalizou os recursos energéticos, convocou uma Assembléia Constituinte e promete uma 'revolução agrária' para acabar com os latifúndios -- que são especialmente grandes em Santa Cruz.

Um em cada quatro bolivianos vive neste Departamento, que responde por um terço do PIB -- especialmente devido à extração de gás e à agricultura.

Críticos dizem que Marinkovic e outros latifundiários estão tentando defender seus interesses econômicos pessoais.

Mas o empresário, um bem-sucedido produtor de soja, diz que os cruzenhos só querem ter mais direito sobre os seus próprios recursos.

Morales diz que o referendo é uma tentativa de desestabilizar seu governo e alerta que ele pode levar ao separatismo.

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