Por Adam Entous JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu não está oferecendo aos palestinos um Estado no sentido clássico disse o novo embaixador do país em Washington nesta terça-feira, citando os limites de soberania exigidos por Israel.

No domingo, Netanyahu usou as palavras "Estado palestino" pela primeira vez para descrever a que ele está preparado para aceitar como resultado das negociações com os palestinos. A linguagem foi pensada para diminuir a tensão com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama -- característica que marcou os três primeiros meses de Netanyahu no cargo.

Mas o líder israelense colocou uma condição para sua mudança de postura: que os Estados Unidos e outras potências mundiais lhe dêem garantias firmes de que qualquer futuro Estado palestino não terá exército nem controle sobre o espaço aéreo, além de um soberania limitada sobre as fronteiras e a política externa.

"Quando o primeiro-ministro e o governo usam a palavra 'Estado' agora, é preciso colocar uma série de ressalvas aí para que se entenda que o que nós estamos falando não é um Estado no sentido clássico, como é amplamente compreendido, mas um Estado que terá algumas --algumas-- restrições substantivas em seus poderes", disse o enviado Michael Oren em entrevista à Reuters.

"É por essa razão que existiu uma relutância inicial para até mesmo usar a palavra 'Estado', porque quando você diz 'Estado', você carrega uma série de pressuposições aí", acrescentou Oren, historiador nascido nos Estados Unidos e especialista em assuntos do Oriente Médio que pretende assumir logo seu posto em Washington.

Potências ocidentais, e até mesmo muitos dos próprios palestinos, têm considerado que qualquer Estado palestino futuro decidido em acordo com Israel será "desmilitarizado", atendendo a uma exigência de Israel. As principais potências não disseram publicamente, no entanto, o que isso significa.

Ao tratar da sensível questão no importante discurso de domingo e ao exigir garantias futuras, Netanyahu colocou o governo Obama e seus mediadores-sócios do Quarteto do Oriente Médio -- União Europeia, Rússia e Organização das Nações Unidas (ONU)-- em uma posição difícil, disseram diplomatas ocidentais.

"É preciso colocar muita reflexão dentro disso. Quando você fala demais e muito cedo, você estraga as coisas", disse uma fonte do governo dos Estados Unidos.

Mesmo se Washington aceitar de forma privada as exigências de Netanyahu, as limitações severas à soberania palestina afetariam a posição do presidente Mahmoud Abbas dentro da Palestina, afirmaram os diplomatas.

Um experiente diplomata europeu prevê resistência dentro da União Europeia, por que a definição de desmilitarização de Netanyahu significa que "o controle da segurança ainda ficará nas mãos de Israel" mesmo depois que um Estado for estabelecido na Cisjordânia, atualmente sob ocupação de Israel, e no enclave costeiro da Faixa de Gaza.

"Isso não cumpre com o que a maioria dos cientistas políticos pensa por Estado", afirmou Nathan Brown, da Fundação Carnegie pela Paz Internacional, em Washington.

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