ENTREVISTA-Iraque precisa se livrar da dependência do petróleo

Por Aseel Kami e Michael Christie BAGDÁ (Reuters) - O Iraque precisa contornar sua dependência da renda do petróleo e promover o investimento na agricultura e na indústria, ou vai enfrentar uma grave crise econômica se os preços da commodity continuarem baixos, disse o ministro do Planejamento iraquiano neste domingo.

Reuters |

O investimento privado, tanto de iraquianos no país ou no exterior e de estrangeiros, vem se tornando fundamental para garantir que os ganhos em segurança dos últimos anos não sejam minados pelo colapso econômico, disse o ministro Ali Baban à Reuters.

"Infelizmente há muitos riscos, muitas ameaças para a situação iraquiana. Mas a ameaça do colapso econômico está entre as mais perigosas e graves", disse Baban.

"Não é urgente para este ano, mas acho que se o declínio na renda do petróleo continuar, a ameaça será séria. Vamos enfrentar uma situação crítica em 2010."

O Iraque, dono da terceira maior reserva de petróleo conhecida do mundo, extrai 95 por cento de seus rendimentos da exportação de petróleo.

A guerra desencadeada em 2003 pela invasão americana, na qual dezenas de milhares de muçulmanos da maioria xiita e da outrora predominante etnia sunita morreram, vem se amenizando.

Mas a calma é frágil, e atentados suicidas a bomba e com carros continuam comuns. O Iraque precisa urgentemente explorar suas riquezas em petróleo, ainda subaproveitadas, para se reconstruir.

Mas os preços do produto despencaram mais de 100 dólares desde seu pico acima de 147 dólares o barril na metade de 2008, forçando o Iraque a cortar seu orçamento de 2009 duas vezes, de um valor original de 80 bilhões para 62 bilhões de dólares.

A última cifra ainda tem que ser aprovada pelo parlamento e pode sofrer novos cortes, já que depende de um preço médio de 50 dólares por barril, mais alto que os preços atuais.

Além disso, o Iraque vai gastar 80 por cento de seu orçamento previsto para 2009 em custos operacionais, basicamente folhas de pagamento e subsídios para uma população desgastada pela guerra.

Só 20 por cento desse valor estará disponível para investimentos em serviços como eletricidade, o setor petrolífero e obras públicas como habitação, disse Baban.

Seria um suicídio político para o governo iraquiano cortar as folhas de pagamento do funcionalismo público, pois uma proporção considerável da força de trabalho depende dos salários deste setor.

O governo inclusive se comprometeu a dar aumentos este ano.

Isso significa que ninguém sabe se algum dinheiro estará disponível para investimentos em 2010, disse Baban.

"O governo chegou a um ponto no qual não pode oferecer mais, e agora o comprometimento do setor privado é muito importante", acrescentou.

O ministro reconheceu que há muito pouco capital privado no Iraque para investimento em áreas como a agricultura.

Bilhões de dólares foram desviados do país durante a ditadura de Saddam Hussein, e muitos bilhões mais foram levados para fora depois que a invasão militar afrouxou as fronteiras do país.

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