ENTREVISTA-Filho de Osama bin Laden diz querer reunir família

Por William Maclean LONDRES (Reuters) - Um dos filhos de Osama bin Laden disse que está trabalhando com a Arábia Saudita e o Irã para pôr fim à separação dele de um grupo de irmãos e irmãs que data desde o caos no Afeganistão que se seguiu aos ataques da Al Qaeda de 11 de setembro de 2001.

Reuters |

Numa entrevista à Reuters, Omar bin Laden disse que os filhos de Osama estavam tentando ser "bons cidadãos do mundo", mas sofriam com a ausência do pai e com o estigma de ser a prole de Bin Laden. Nenhum deles faz parte da Al Qaeda, disse ele.

"No momento, estamos trabalhando com o governo iraniano e com o governo saudita para que os filhos e netos de minha mãe unam-se a nós", disse Omar bin Laden por email.

"Muitas pessoas no mundo não querem nos dar uma chance porque nosso pai é Osama bin Laden. Isso está errado. Nenhum de nós foi da Al Qaeda. Nenhum foi defensor da violência. Se você ler uma coisa diferente disso, então você estará lendo uma inverdade. Fazemos o que podemos para apoiar nossas famílias e sermos bons cidadãos do mundo. Isso é tudo o que podemos fazer".

"REZANDO PELA VOLTA DE IMAN"

Em Teerã, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores não estava disponível para comentar as declarações. Em Riad, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Osama al-Noghali, não pôde ser encontrado para fazer comentários.

Reportagens da imprensa haviam dito que diversos filhos de Osama bin Laden e a primeira mulher dele, Najwa, fugiram para o Irã durante o bombardeio dos EUA no Afeganistão em 2001 e viviam sob prisão domiciliar.

Omar bin Laden não indicou a situação legal de seus parentes no Irã, mas afirmou que entre eles está Othman, de cerca de 25 anos, Fatima, de cerca de 22, e Iman, de aproximadamente 17, além de Hamza, filho de Osama com a terceira mulher, Khairiyah, além da própria Khairiyah.

Um outro filho de Najwa, Ladin, também conhecido como Bakr, de cerca de 15 anos, recentemente teve permissão para partir e uniu-se à mãe, que está morando na Síria, disse Omar bin Laden.

"Minha mãe tem sofrido muito com a perda de seus filhos, como qualquer mãe sofre quando perde um filho. Ela está com Ladin (Bakr) agora, então isso é um começo", disse Omar bin Laden.

"Estamos felizes em ver esse jovem homem que era apenas uma criança suplicando para ir conosco quando deixamos o Afeganistão. A tristeza dele na nossa partida assombrava a mim e a minha mãe. Assim, estamos muito felizes de tê-lo à nossa mesa. Estamos rezando pelo retorno de Iman. Depois disso, queremos vê-los todos".

No dia 2 de janeiro, a Arábia Saudita pediu que o Irã autorizasse Iman a deixar o país se ela quisesse, depois que um diário saudita publicou que Iman havia fugido da prisão domiciliar e estava na embaixada saudita em Teerã.

Em 24 de dezembro, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou que ela seria capaz de deixar o Irã uma vez que sua identidade fosse confirmada, e as autorizações apropriadas, obtidas.

As relações entre a Arábia Saudita e o Irã têm sido marcadas pela rivalidade regional e desconfiança mútua em razão principalmente das tensões sectárias na região entre sunitas e xiitas.

Osama bin Laden nasceu em uma rica família saudita, mas teve a nacionalidade revogada. Acredita-se que o chefe da Al Qaeda esteja escondido numa área de fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

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