ENTREVISTA-FAO quer mais ajuda a pequenos agricultores

Por Robin Pomeroy ROMA (Reuters) - A única forma de acabar com a fome do mundo é dando a pequenos agricultores condições de produzir mais alimentos, disse na sexta-feira o responsável pela cúpula alimentar mundial de junho.

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Jacques Diouf, diretor da FAO (órgão da ONU para alimentação e agricultura), será o anfitrião de ministros e chefes de Estados entre os dias 3 e 5 de junho, em Roma, num evento destinado a discutir a atual alta mundial do preço dos alimentos.

Essa crise, que faz os países pobres gastarem até o dobro do habitual na importação de alimentos, 'não surgiu do nada', segundo Diouf. 'Ela advém de as pessoas não ouvirem'.

Esse agrônomo senegalês de 67 anos, dos quais 14 à frente da FAO, disse que há anos vem pedindo mais ajuda para os agricultores de países pobres, mas em geral não é ouvido.

Segundo ele, desde 1980 a proporção da ajuda internacional destinada à agricultura caiu dramaticamente. 'Todos estavam cientes do fato de que algo estava errado --só não fizemos o que era necessário para corrigir', disse ele à Reuters.

A cúpula foi convocada no ano passado para discutir o impacto dos biocombustíveis e da mudança climática sobre a segurança alimentar. A alta nos preços e os distúrbios por causa da escassez de alimentos em vários países acabaram se antecipando a essa pauta.

De imediato, Diouf acha que o mundo deve manter os níveis de ajuda humanitária, apesar da inflação; em seguida, deve ajudar os pequenos agricultores, que não conseguiram se beneficiar da alta dos preços, ao contrário dos grandes fazendeiros.

'Precisamos permitir que os camponeses dos países pobres tenham acesso a sementes, fertilizantes e rações, porque, devido ao aumento generalizado dos alimentos, os preços desses insumos também subiram.'

'Portanto, ao invés de ocorrer um aumento na produção por causa do aumento de preços, como previram os economistas, podemos ter uma queda na produção, porque pequenos agricultores de todo o mundo não podem mais arcar com os insumos necessários à produção.'

Se poucos participantes da cúpula devem discordar dessas opiniões, haverá também assuntos mais espinhosos a serem discutidos, como os biocombustíveis e os produtos transgênicos.

'Os problemas mundiais são muito mais complexos do que dizer que algo é ruim e algo é bom. A certeza é que desviar cerca de 100 milhões de toneladas de cereais para o biocombustível teve um impacto sobre os preços alimentares', afirmou Diouf.

Ele não quis comentar as declarações do presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, para quem a FAO desperdiça dinheiro e deveria ser fechada. Para Diouf, as declarações têm motivações políticas e contêm erros factuais.

Há especulações de que Diouf voltaria ao Senegal para disputar a Presidência pelo Partido Socialista, que passou 40 anos no poder, até a eleição de Wade, em 2000. Questionado sobre isso, Diouf sorriu. 'Sou responsável pela FAO até dezembro de 2011. Esse é meu trabalho e meu foco.'

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