ENTREVISTA-Epidemia de H1N1 recua na Argentina, diz ministro

Por Damián Wroclavsky BUENOS AIRES (Reuters) - A epidemia de gripe H1N1 começou a decrescer na Argentina, depois de ter assustado a população e provocado mais de 160 mortes no começo do inverno, disse na quarta-feira o ministro da Saúde, Juan Manzur.

Reuters |

Durante algumas semanas, o sistema de saúde esteve sobrecarregado por consultas e internações, o turismo despencou, as escolas foram fechadas e o governo paralisou as atividades públicas durante 24 horas, depois de um feriado, para tentar frear a epidemia.

Ainda durante as férias escolares, e num momento em que uma frente fria espalha nevascas e temperaturas abaixo de zero por todo o país, Manzur afirmou que o vírus está desacelerando seu avanço.

"Quando comparamos com 15 dias atrás, hoje estamos melhor; o que não quer dizer que estamos bem. O alerta continua", disse o ministro à Reuters, estimando em até 35 por cento a redução das consultas, hospitalizações e casos críticos.

Até agora, o vírus H1N1, dito "da gripe suína", evolui na Argentina segundo o mesmo padrão de outros países, sem mostrar mutações nem resistência à medicação, embora tenha se tornado a cepa dominante entre as que circulam no país.

"Ele deslocou o resto dos vírus ... Uma das características que tem é a alta transmissibilidade, se difunde rapidamente", afirmou.

Anualmente, cerca de 1 milhão de argentinos sofrem de algum tipo de gripe.

Ao contrário dos outros paises, que divulgam o total de casos comprovados em laboratório, a Argentina preferiu notificar indicadores como o percentual do novo vírus em circulação, em relação ao total de casos de gripe.

A contabilidade revelou que 85 por cento dos mais de 110 mil casos notificados como enfermidades do tipo "influenza" correspondiam à nova cepa, um número superior ao total mundial informado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas a OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) acabaram respaldando a metodologia escolhida pela Argentina e agora por outros países, segundo o ministro.

"Numa epidemia, não se têm de contabilizar os casos ... No mundo não há maneira de medir um a um esta situação", disse o ministro, que chegou ao cargo depois da renúncia de sua antecessora, em plena crise sanitária.

Com a atenuação da preocupação, o álcool em gel usado para desinfetar as mãos reapareceu nas farmácias, e, embora quase já não se vejam máscaras nas ruas, a ameaça de um recrudescimento ainda está latente.

Embora a OMS diga que essa gripe se caracteriza "pela leveza dos sintomas na grande maioria dos pacientes", Manzur acha que é cedo para compará-la com a gripe comum, quando ainda faltam dois meses para o fim do inverno.

Ele também fez um apelo para que a comunidade internacional garanta o abastecimento da futura vacina aos países emergentes.

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