ENTREVISTA-EADS corta produção, mas mantém empregos

Por Emmanuel Jarry MUNIQUE (Reuters) - O grupo aeroespacial europeu EADS, que controla a Airbus, terá que adaptar seus planos de produção para lidar com a crise econômica, mas não está considerando por enquanto cortar empregos, disse o presidente-executivo da companhia neste sábado.

Reuters |

As difíceis condições econômicas estão atingindo as atividades comerciais do grupo, ainda que elas não estejam afetando contratos de defesa, disse à Reuters Louis Gallois, durante conferência anual de segurança em Munique.

"O que está caracterizando a situação é uma falta de visibilidade", disse Gallois. "Nós vamos ter que adaptar nossos planos de produção."

A Airbus adiou recentemente planos para aumentar a produção de jatos de corredor único (single aisle) e divulgou que estaria preparada para reduzir a produção, se as circunstâncias demandassem.

Sinalizando que a situação pode estar piorando, a EADS informou na sexta-feira que companhias aéreas cancelaram mais aviões do que compraram da Airbus em janeiro.

Isso deixou a produtora de aviões europeia com carteira líquida de pedidos negativa, mesma situação de sua concorrente Boeing.

A Airbus informou que vendeu quatro aviões comerciais single aisle para a Turkish Airlines e recebeu cancelamento de pedidos de 12 aviões do mesmo modelo de uma ou mais companhias em janeiro, reduzindo sua carteira de pedidos em oito aviões.

A procura por aeronaves está se reduzindo devido à recente alta dos preços do petróleo, ao fraco tráfego, à capacidade superior à demanda e aos temores de recessão, que têm levado as companhias aéreas à sua pior crise em décadas.

Além disso, Gallois afirmou que as alterações necessárias na produção não devem afetar os postos de trabalho. Nos últimos meses, centenas de milhares de empregos foram cortados em todo mundo.

"Nesse estágio, nós não vemos qualquer efeito sobre os funcionários."

No que se refere à produção e o quadro de funcionários, a EADS estava em uma melhor posição que a Boeing, porque o grupo já iniciou cortes de pessoal em 2007, como parte do programa de reestruturação batizado de Power 8.

Ao anunciar esse programa em 2006, a Airbus informou que procurava reduzir 10 mil postos de trabalho nos quatro anos seguintes, até o fim de 2010, para se equiparar às demais fabricantes de aviões e seus fornecedores.

No início do plano, a companhia empregava 55 mil funcionários.

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