Por Allyn Fisher-Ilan JERUSALÉM (Reuters) - O número de colonos judeus na Cisjordânia pode triplicar e atingir 1 milhão de indivíduos, apesar da pressão ocidental contra a ampliação dos assentamentos em territórios ocupados, segundo um líder dos colonos.

"É totalmente viável antever 1 milhão de judeus vivendo na Judeia e Samaria", disse Naftali Bennett, usando os nomes bíblicos da Cisjordânia, onde 2,5 milhões de palestinos aspiram criar um Estado independente, junto com os 1,5 milhão de habitantes da Faixa de Gaza.

"Estamos fazendo de tudo em nosso poder para descongelar o congelamento", disse Bennett à Reuters. Esse programador de computadores assumiu neste mês a direção do Conselho Yesha (sigla de Judeia, Samaria e Gaza, em hebraico).

Ao citar o "congelamento," ele se referia à suspensão temporária das construções, determinada em novembro pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O governo esperava com isso convencer os palestinos a retomarem o processo de paz, mas o gesto foi considerado insuficiente pelos árabes.

"Seria um grande equívoco continuar este congelamento", disse Bennett. "Os judeus podem construir em Nova York, Moscou e Paris, mas na nossa própria terra não podemos construir? Isso é loucura", disse ele.

À luz do direito internacional, os assentamentos são considerados ilegais, bem como a anexação a Israel de Jerusalém Oriental e arredores. Na semana passada, soldados judeus mataram dois jovens palestinos durante um protesto na Cisjordânia contra os assentamentos.

Os palestinos rejeitam o congelamento determinado por Netanyahu porque a medida exclui bairros de Jerusalém Oriental, área reivindicada pelos palestinos como capital do seu eventual Estado. Para os judeus, Jerusalém é sua capital "eterna e indivisível".

Bennett, 37 anos, que foi assessor de Netanyahu antes da eleição do ano passado, é o primeiro diretor do conselho Yesha que não vive em nenhum dos assentamentos, o que ele vê como uma vantagem em termos de relações públicas.

"A mensagem que estamos levando ao público israelense", disse Bennett, é que não deve haver distinção entre o território original de Israel e as áreas conquistadas, que os colonos veem como um direito bíblico.

"Não vejo qualquer diferença entre Judeia e Samaria e o resto do país", disse ele.

A coalizão de Netanyahu apoia os colonos e tem alta popularidade, mas muita gente em Israel também prefere a retomada do processo de paz com os palestinos e vê os colonos como um entrave a tal perspectiva.

Bennett acusou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de instigar a violência ao pressionar Israel por causa da questão de Jerusalém.

"Os árabes estão se reclinando e dizendo: 'Bem, se Obama está exigindo negociar Jerusalém, temos de espalhar isso e transformar isto em uma enorme crise'. E foi isso que aconteceu."

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