Entrevista: Obama dará mais estímulo a debate climático

TÓQUIO - O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, dará novo impulso às discussões sobre um novo tratado global contra o aquecimento, embora a comunidade internacional ainda tenha de resolver questões como as verbas para países em desenvolvimento, disse na quarta-feira o diretor da ONU para questões climáticas, Yvo de Boer.

Reuters |

Cerca de 190 países tentam concluir até dezembro as negociações para um tratado que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.

Países ricos e pobres permanecem divididos quanto aos investimentos a serem feitos em energias "limpas" e transferência de tecnologias, além das novas metas de redução dos gases do efeito estufa.

"O presidente eleito Obama tem dito algumas coisas muito animadoras a respeito de suas ambições domésticas e da sua disposição em se engajar internacionalmente", disse De Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, em entrevista à Reuters.

"Acho que essa será uma contribuição muito construtiva para o processo conforme avançarmos", disse De Boer, que foi a Tóquio para uma reunião mundial de ministros de Transportes a respeito da questão climática.

Obama, que assume o cargo na próxima terça-feira, promete tomar medidas para que até 2020 as emissões de gases do efeito estufa voltem aos patamares de 1990 - atualmente, estão 17 por cento acima. Para meados do século, o plano dele é uma redução de 80 por cento em relação aos níveis de 1990.

Trata-se de um plano muito mais ambicioso do que o do atual presidente, George W. Bush, que rejeitou o Protocolo de Kyoto e previu que as emissões dos EUA continuariam subindo até 2025.

De Boer se disse "bastante confiante" de que Obama irá em dezembro à conferência de Copenhague, que definirá o futuro tratado, e irá se comprometer com metas de reduções de emissões a partir de 2013.

"Ele já declarou publicamente que deseja trabalhar rumo a um acordo em Copenhague (e) pôr em vigor um pacote de políticas (climáticas) nacionais", afirmou.

A adoção de metas de reduções por parte dos EUA é vista como uma parte crucial do futuro tratado, pois vários países rejeitam novas metas se grandes países emissores - como EUA, China, Índia e Brasil - não se comprometerem com as iniciativas.

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