JERUSALÉM - O segundo nome mais forte do partido israelense Kadima, Shaul Mofaz, fez duras críticas à líder da formação, Tzipi Livni, a quem acusa de arrogância e falta de liderança, em entrevista antecipada nesta quarta-feira pelo jornal Haaretz.

Mofaz, vice-primeiro-ministro no Governo anterior, acredita que Tzipi precisa ter mais inteligência emocional, capacidade para tomar decisões e se comunicar com as pessoas, o que impossibilita que um dia ela se torne chefe de Governo.

A entrevista, cuja versão completa será divulgada na próxima sexta-feira, mostra que o partido de centro-direita, criado em 2005 por Ariel Sharon, está à beira de uma cisão, pois um grupo de deputados críticos estuda deixar a formação para se juntar ao Likud, de Benjamin Netanyahu.

Tzipi Livni, ministra de Assuntos Exteriores no Governo de Ehud Olmert, venceu Mofaz nas eleições primárias de setembro de 2008 e meio ano depois fez do Kadima o partido mais votado nas eleições gerais, embora tenha sido Netanyahu o responsável pela formação de um Governo de coalizão.

Agora, o Kadima vive uma crise que, de acordo com Mofaz, põe em risco sua integridade e é consequência de decisões erradas de sua presidente.

O legislador diz ainda que a líder decide os problemas internos de forma antidemocrática: "Seu critério é o 'Se não gosta, que saia.

Tudo está em minhas mãos e portanto eu decido'", denuncia.

Mofaz conclui ao propor novamente a convocação antecipada de eleições primárias no Kadima, e ressalta que, se obtivesse a liderança do partido, entraria no Governo de coalizão quando Netanyahu aceitasse avançar no estagnado diálogo com os palestinos e reformar o sistema de Governo.

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