Entrei em mesquita a mando do Senhor, diz brasileiro

Rodrigo Cubek, preso no Paquistão por perturbar oração em mesquista, chegou ao Brasil na noite desta terça

Luciana Cristo, iG Paraná |

O brasileiro Rodrigo Cubek, preso no Paquistão no último dia 13 depois de ter perturbado o período de orações dentro de uma mesquita, chegou a Curitiba, onde mora, no final da noite desta terça-feira. Por meio de uma carta, ele se manifestou sobre o caso, disse que fez a viagem para “levar a palavra do Senhor” aos países islâmicos e contou como foram os dias na prisão.

Reprodução TV Globo
Rodrigo Cubek, preso no Paquistão no último dia 13 depois de ter perturbado o período de orações dentro de uma mesquita
Cubek afirma que Jesus Cristo teria falado com ele e o instruído a ir aos países islâmicos. “Prometendo livrar-me do inferno, o Senhor me ordenou que fosse aos países islâmicos mais intolerantes e feridos pelos flagelos do terrorismo e da guerra para mostrar-lhes o ícone de Nossa Senhora Virgem Maria Rainha da Paz. Ele me mandou, especialmente, ir às mesquitas, que são o centro da vida social desses países”, escreveu o curitibano.

Ele completa dizendo que não mentiu sobre a intenção da sua viagem. “Sempre falei a verdade sobre o propósito da minha viagem, seja para a polícia, para a embaixada e para meus companheiros de cárcere”, justifica.

Sobre os dias que passou na prisão, até pagamento de fiança, Cubek diz que dividiu cela com outros muçulmanos, mas que não foi agredido. “Na prisão, Deus não me enviou mais sofrimentos que eu não os pudesse suportar. Ao contrário de todos os outros prisioneiros, não fui agredido fisicamente pelas autoridades policiais (que, no Paquistão, são extremamente cruéis e corruptas). Vi um outro cristão, detido por um pequeno delito, ser barbaramente açoitado, até sangrar”, conta.

Reincidência

Segundo Cubek, ele já havia feito algo parecido no Irã, em 2008, e que dessa vez ele já havia passado por três mesquitas até ser preso. “Após divulgar o ícone da Rainha da Paz nas cidades de Teerã (Irã), Peshawar e Quetta (no Paquistão) sem ter havido maiores problemas, fui detido na “Juma” (momento de oração islâmica), na Mesquita do Shá Faisal, em Islamabad, que é a maior mesquita do Paquistão e a quarta maior do mundo, enquanto mostrava o ícone da Rainha da Paz e dizia no idioma local urdu “Issaí” (que é a palavra que designa “cristão”) e em inglês “Esta é a Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha da Paz”, lembra.

Medicamento e visto

Ao contrário das informações divulgadas anteriormente, Cubek afirma que o medicamento encontrado na bagagem dele pela polícia do Paquistão é o Valeriane (Valeriana Officinalis L.), que ele usa para dormir. “Pode ser comprado até mesmo sem receita médica, como sempre faço. A suposição de que se trata de algum psicotrópico que descredenciaria o meu testemunho é obra de adivinhação dos policiais paquistaneses, afinal eles sequer entendem português para ler a bula do medicamento”, contesta o curitibano.

Ele também disse que não estaria com o visto vencido. “O meu visto foi emitido em 11 de fevereiro, podendo a minha viagem ser realizada até 10 de maio. De acordo com o visto, a partir do momento em que eu chegasse ao Paquistão, poderia permanecer por três meses. Eu ingressei legalmente no Paquistão pelo Aeroporto Internacional Benazir Butto de Islamabad em 11 de abril, ou seja, dentro do prazo estipulado”, argumenta.

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