Entre série de falhas, eleições do Sudão se acercam do fim

Al-Nur al-Zaki e Jorge Fuentelsaz. Cartum, 14 abr (EFE).- O Sudão viveu hoje o penúltimo dia das eleições gerais entre notícias sobre o fechamento de cerca de 30 zonas de votação por erros técnicos e com denúncias de violência na região autônoma, no sul do país.

EFE |

Segundo disseram à Agência Efe funcionários da Comissão Eleitoral do Sudão, que preferiram não se identificar, se decidiu pelo fechamento de 33 zonas eleitorais em todo o país por erros no registro de eleitores, falta de cédulas e falhas logísticos.

A informação foi confirmada pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, que está Sudão como observador à frente de uma equipe composta por perto de 100 pessoas.

"A comissão confirmou a decisão de parar a votação em vários centros devido a erros técnicos, e problemas logísticos e no registro eletrônico dos eleitores", assegurou Carter na sede da Comissão Eleitoral em Cartum.

Já o vice-presidente da Comissão Eleitoral, Abdala Ahmad Abdala, tentou minimizar a importância desses problemas. Segundo ele, a votação só foi suspensa em um número limitado de áreas e a situação será selecionada de acordo com a lei.

Há 10.700 centros eleitorais em todo o país, que amanhã terá seu quinto e provavelmente último dia de eleições presidenciais e parlamentares a nível nacional e provincial.

Apesar das declarações, o porta-voz da comissão Abu Bakr Waziri indicou em entrevista coletiva que o anúncio oficial sobre a decisão tomada sobre os problemas das cédulas e o desaparecimento de alguns símbolos de partidos nos papéis de votação será feito amanhã.

Além disso, Waziri insistiu que as votações, que começaram no domingo e terminam nesta quinta-feira, "transcorrem de maneira satisfatória".

Procurado pela Efe, Waziri não quis confirmar nem desmentir o fechamento das zonas eleitorais e insistiu que o anúncio será feito amanhã, após o fechamento definitivo das urnas, marcado para 18h (meio-dia, Brasília).

As eleições, consideradas as primeiras pluripartidárias em 24 anos, estiveram marcadas, além de pelos erros e demoras, pela retirada dos principais partidos da oposição, que denunciaram irregularidades e pediram um adiamento do pleito.

A notícia foi conhecida no mesmo dia em que o chefe do Partido do Congresso Nacional (PCN) na província de Bahr al-Ghazal Ocidental (sul), Philip Tula, denunciou que nove membros de seu partido morreram ontem à noite perto de um colégio eleitoral baleados por membros do Exército Popular de Libertação do Sudão (EPLS).

Os nove militantes do partido governante morreram nessa província após uma briga com membros do EPLS, que depende do Governo autônomo do sul do país.

O EPLS era o braço armado do Movimento Popular para a Libertação do Sudão (MPLS), que lutou contra o norte durante duas décadas. Por causa do tratado de paz assinado em 2005, o Exército se tornou força regular no sul do país, governado pelo MPLS.

O PCN, liderado pelo presidente sudanês, Omar al-Bashir, que chegou ao poder em um golpe de Estado em 1989 e agora procura legitimar seu poder nas urnas, denunciou vários atos de violência contra seus militantes e escritórios no sul do país.

É o segundo incidente grave de violência que se tem notícia nas últimas 24 horas ligado ao desenvolvimento das eleições.

Ontem à noite, o dirigente do Movimento Popular para a Mudança Democrática e ex-chanceler Lam Akol denunciou que forças do EPLS mataram dois eleitores em um centro da província de Al-Wahda.

Em meio a essas informações, o partido governante do Sudão assegurou hoje que, caso vença as eleições gerais, convidará "todas" as legendas de oposição a formar Governo. EFE az/rr

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